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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Longevidade, Desânimo e Sabedoria

Os avanços tecnológicos e da medicina têm permitido que vivamos mais tempo. Contudo, terá isso aumentado também a alegria de viver?

Segundo o IBGE, a expectativa de vida dos brasileiros vem subindo muito nos últimos 80 anos. O registro de 1940 é que um brasileiro tinha uma expectativa de vida de 45 anos! Hoje a expectativa é de 76 anos. Esse é um dado positivo. Significa que muitas das causas de morte “precoce” têm sido lidadas, principalmente com tratamentos de saúde melhores. No entanto, muito embora essa notícia deva ser comemorada, há um outro dado preocupante.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, em 2023 no Brasil quase doze milhões ou 5,8% da população sofreram com depressão. Esse número é o maior das Américas, exceto pelos EUA. Ainda pior é o resultado de um estudo do Ministério da Saúde que indica que, nos próximos anos, esse número pode chegar à 15,5% da população. Apesar de estudos indicarem a pobreza ou desigualdade social como um dos fatores principais do surgimento da depressão, países nórdicos apresentam índices ainda maiores de sofrimento ou luta com depressão. Muito embora possa ser uma conclusão apressada, estamos vivendo mais, mas estamos mais tristes…

O tema depressão é amplo e certamente é resultado de uma somatória de fatores. Em termos leigos, depressão é uma doença onde a pessoa sente tristeza profunda e prolongada, se manifestando em perda de prazer ou alegria mesmo em atividades e relações pessoais. Um componente é o que chamamos popularmente de desânimo. Esses dias parei para refletir sobre o propósito da parábola da viúva insistente encontrada em Lucas 18.1-8. Me chamou a tenção que Lucas registrou o propósito da parábola assim: “Jesus contou aos seus discípulos a seguinte parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar”.

Depressão é uma doença onde a pessoa sente tristeza profunda e prolongada, se manifestando em perda de prazer ou alegria mesmo em atividades e relações pessoais.

Jesus destaca, junto à exortação de orar sempre, que nunca devemos desanimar. Fiz uma pesquisa rápida e descobri que a mesma palavra no original é usada mais cinco vezes no Novo Testamento, todas elas por Paulo (2Coríntios 4.1 e 16, Gálatas 6.9, Efésios 3.13 e 2Tessalonicenses 3.13). Em todas estas, a exortação é a mesma: “Não desanimemos”! 

Em quatro dessas passagens o estímulo para não desanimar está ligado tanto a um chamado para servir como a frutos eternos de nossos esforços. Destaco aqui a passagem de Gálatas 6.8-9:

“Quem semeia para a sua própria carne, da carne colherá destruição; contudo, quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos se não desistirmos.”

Aqui Paulo nos exorta a continuarmos fazendo o bem, definido no versículo anterior como semearmos segundo o Espírito, pois colheremos frutos. Por isso não devemos desanimar. 

Em outra oportunidade, Paulo escreve em 1Coríntios 15.58: “Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes e inabaláveis. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não é inútil”. A Bíblia, portanto, parece deixar claro uma ligação direta entre desânimo e resultados positivos ou “frutos”.

Caso eu busque resultados ou frutos deste mundo, terei de encarar o fato de que estes são passageiros.

O problema dos dados apresentados no início deste texto é que, caso eu busque resultados ou frutos deste mundo, terei de encarar o fato de que estes são passageiros. Mesmo que eu acumule riquezas e fama, mais cedo ou mais tarde eu partirei e deixarei tudo para trás. Por isso importa ouvir as palavras de Moisés em Salmos 90.10-12:

“Os anos da nossa vida chegam a setenta, ou a oitenta para os que têm mais vigor; entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa, e nós voamos! Quem conhece o poder da tua ira? Pois o teu furor é tão grande como o temor que te é devido. Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.”

Mesmo com uma expectativa de vida maior, sem o temor de Deus a vida é difícil e cheia de sofrimento (canseira e enfado em outra versão). Diante disso, Moisés pede que Deus nos ensine a contar nossos dias. Creio que o significado é considerar ou meditar sobre nossos dias. O resultado de considerarmos ou pensarmos sobre nossa vida e seus limites deve nos conceder um coração sábio. Dessa forma, meu irmão ou irmã, minha oração não é por mais tempo de vida, mas por uma vida em que possamos buscar um coração sábio, investindo em frutos eternos! 

  • Daniel Lima

    Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 26º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

Aprendendo com o Ano Novo de Israel

Diante de mais um ano novo, surge a pergunta: como os israelitas comemoravam essa data no Antigo Testamento? E podemos aprender alguma coisa com eles?

Estamos prestes a entrar em um novo ano. Embora as responsabilidades e os compromissos continuem, as primeiras duas semanas após o Natal geralmente nos levam a refletir sobre como foi o ano que passou, quais são algumas metas possíveis para o ano que se aproxima ou recém começou e quais comportamentos gostaríamos de adquirir ou nos livrar, entre outras coisas.

Ao contrário de outros feriados ou datas especiais, a comemoração da virada de ano não é uma invenção moderna. O próprio povo de Israel, no Antigo Testamento, comemorava a mudança de ano. De acordo com Êxodo 12.1 e outras passagens, o mês de nisã (também chamado de abibe) é o “primeiro mês do ano” (veja tb. Ester 3.7). Esse mês abrange os nossos meses de março e abril e corresponde ao começo da primavera no hemisfério norte.

Nesse primeiro mês, os israelitas celebravam a Páscoa, uma das festas anuais mais importantes, na qual eles lembravam do sacrifício substitutivo do cordeiro no Egito, um símbolo do futuro “Cordeiro pascal”, Jesus Cristo, que morreu no lugar deles e no nosso (1Coríntios 5.7; veja Êxodo 12).Poderíamos até brincar e dizer que o povo de Israel gostava tanto do ano novo que até mesmo o comemorava duas vezes, pois, além desse começo de ano na primavera – época propícia para um novo começo, não é mesmo? –, os israelitas aparentemente também “se orientavam pelo ano agrícola, que ia de outono a outono”.[1]

Poderíamos até brincar e dizer que o povo de Israel gostava tanto do ano novo que até mesmo o comemorava duas vezes.

O motivo desse segundo “ano novo” é explicado pela praticidade de se orientar pelo período da colheita. O teólogo John Davis explica: “Era conveniente a um povo dedicado à agricultura [como era Israel], começar o ano com as estações próprias para arar a terra, para as semeaduras, encerrando-o com as colheitas”.[2]

Essa segunda ocasião de uma “mudança de ano” caía no mês de tisri, o “sétimo mês” (veja Levítico 25.4,9). Nesse mês, os israelitas celebravam o Dia da Expiação, no qual os pecados do povo eram expiados (Levítico 16.29-34), outro símbolo da obra de Jesus Cristo na terra, que, “tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados… aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados” (Hebreus 10.12-14).

Acredito que podemos aprender muito com o modo como o povo de Israel comemorava a mudança de ano. Não importa qual data pegarmos, seja o primeiro ou o sétimo mês, seja a primavera ou o outono, Deus sempre estabeleceu perto delas uma festa na qual o sacrifício de Cristo – futuro para eles, passado para nós – podia ser refletido.

Além disso, a festa da Páscoa também era um momento no qual as pessoas eram chamadas a comer um cordeiro em família e, caso esta fosse pequena demais, deveria convidar seu vizinho para comer junto (veja Êxodo 12.3-4). Ou seja, tratava-se de um momento de íntima comunhão com familiares e amigos, da mesma forma como comemoramos o Ano-Novo atualmente.

Aprendamos com os israelitas e comemoremos este Ano-Novo ao lado de nossos familiares e amigos, refletindo sobre o sacrifício de Jesus Cristo por nós e na esperança de seu retorno. Maranata e feliz Ano-Novo!

Notas

  1. Duane A. Garrett, ed. ger., Bíblia de Estudo Arqueológica NVI, trad. Claiton André Kunz, Eliseu Manoel dos Santos e Marcelo Smargiasse (São Paulo: Editora Vida, 2013), p. 241.
  2. John Davis, Novo Dicionário da Bíblia, trad. J. R. Carvalho Braga, ed. ampl. e atual. (São Paulo: Hagnos, 2005), p. 81.
  • Sebastian Steiger

    Sebastian Steiger (B.Th., Staatsunabhängige Theologische Hochschule Basel) é editor do Ministério Chamada no Brasil. Vive em Porto Alegre/RS com sua esposa, Débora.

Revista Chamada da Meia-Noite, dezembro de 2024

Edição de dezembro da revista mensal Chamada, publicada no Brasil desde 1970 e em mais de 144 países em nove idiomas.

Disponível no Brasil desde 1970 e traduzida para nove idiomas, sendo lida em 144 países, a revista mensal Chamada traz conteúdos ligados à vida cristã, defesa da fé, profecias, acontecimentos mundiais e muito mais. Veja como a Bíblia descreveu no passado o mundo em que vivemos hoje, e o de amanhã também.

Confira abaixo os principais conteúdos desta edição:

  • Não Havia Lugar na Hospedaria
  • A Fé Autêntica se Revela no Falar
  • Os Pastores Eram Malvistos Quando Jesus Nasceu?
  • Devocionais de Natal
  • As Diferentes Prioridades de Esaú e Jacó: Gênesis 25.27-34
  • Por que Belém?
  • Natal em Israel - apesar de tudo
  • Testemunhos do Congresso 2024
  • Perguntas & Respostas: Alguém que não crê... teria o perdão de Deus?



quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

O Poder das Palavras

“Pois ‘quem quiser amar a vida e ver dias felizes guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade. Afaste-se do mal e faça o bem; busque a paz com perseverança’.” (1Pedro 3.10-11).

Todos nós desejamos viver dias abençoados em que a paz e a harmonia determinam as nossas convivências. Diariamente intercedemos junto a Deus para que ele nos abençoe e nos dê um dia repleto de bênçãos. De acordo com Tiago 3.6, os dias bons e ruins também estão relacionados a pequenas coisas, como a nossa “língua”, que pode ser abençoadora ou causadora de desgraças. “Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno” (Tiago 3.6).

A língua pode confortar, reerguer os cansados e desanimados, pode inspirar segurança e confiança para o dia inteiro, entretanto ela também pode irritar e destruir.

A língua pode confortar, reerguer os cansados e desanimados, pode inspirar segurança e confiança para o dia inteiro, entretanto ela também pode irritar e destruir, como lemos em Provérbios 15.1: “A resposta delicada acalma furor, mas a palavra dura aumenta a raiva”. A língua, quando usada para o bem, se transforma em enorme benção. Em Provérbios 12.18 lemos que as palavras do sábio podem curar. Que as suas palavras sejam um instrumento de benção e cura! “A palavra certa na hora certa é como um desenho de ouro feito em cima de prata” (Provérbios 25.11).

Mulheres escravas, crianças passam fome: Israel apresentará relatório na ONU sobre abuso de reféns

Além de destacar os abusos sofridos pelos reféns no cativeiro do Hamas, o relatório também descreveu as dificuldades dos reféns após sua libertação e retorno para casa.

Famílias de israelenses mantidos reféns por terroristas do Hamas em Gaza do lado de fora de uma instalação de túnel na Praça dos Reféns em Tel Aviv em 13 de janeiro de 2024 - (crédito da foto: TOMER NEUBERG/FLASH90).

Israel elaborou um relatório oficial a ser submetido às Nações Unidas que detalha os abusos infligidos a ex-reféns que sobreviveram ao cativeiro do Hamas, informou a N12 na quarta-feira. 

O relatório descreve especificamente as condições dos reféns libertados no acordo de novembro de 2023 , observou o meio de comunicação israelense.

"Esses testemunhos servem como um chamado para despertar a comunidade internacional", disse o Ministro da Saúde Uriel Busso, cujo ministério liderou os esforços na compilação do relatório, citado pelo JFeed , na quarta-feira. "O mundo precisa ver a realidade do que os reféns suportaram – e o que aqueles que ainda estão em cativeiro continuam a enfrentar."


O N12 afirmou que o relatório inclui extensos depoimentos de reféns libertados que foram deliberadamente separados de seus familiares que também foram feitos reféns em 7 de outubro.

Mulheres reféns transformadas em escravas por terroristas, relata N12

Crianças feitas reféns foram forçadas a assistir a vídeos do massacre de 7 de outubro , reféns foram submetidos a cirurgias sem anestesia ou medicação adequada, outros foram forçados a se sujar e reféns foram transformadas em escravas, afirmou o N12 , citando o relatório.

Uma mulher projeta uma sombra enquanto passa por uma faixa pedindo a libertação dos reféns sequestrados durante o ataque mortal de 7 de outubro de 2023 pelo Hamas, em meio ao conflito em andamento em Gaza entre Israel e o Hamas, em Tel Aviv, Israel, em 5 de dezembro de 2024. (crédito: REUTERS/Stoyan Nenov TPX IMAGES OF THE DAY)Ampliar imagem
Uma mulher projeta uma sombra enquanto passa por uma faixa pedindo a libertação dos reféns sequestrados durante o ataque mortal de 7 de outubro de 2023 pelo Hamas, em meio ao conflito em andamento em Gaza entre Israel e o Hamas, em Tel Aviv, Israel, em 5 de dezembro de 2024. (crédito: REUTERS/Stoyan Nenov TPX IMAGES OF THE DAY)

De acordo com o relatório, pouco antes da libertação dos reféns, o Hamas aumentou as porções de comida para criar a impressão de que os reféns eram mantidos em boas condições. Além disso, as crianças teriam perdido entre 11-22 libras em peso, enquanto os adultos perderam cerca de 33 libras. 

Além de destacar os abusos sofridos pelos reféns no cativeiro do Hamas, o relatório também descreveu as dificuldades dos reféns após sua libertação e retorno para casa.


O relatório observou que os reféns libertados sofrem de traumas severos, com muitos raramente saindo de suas casas, lutando para retornar às rotinas e tendo medo de dormir sozinhos. Muitos ainda sofrem de dor física e as crianças libertadas lutam com comida, seja acumulando comida ou comendo menos.


Fonte: THE JERUSALEM POST

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Síria: “Nossa presença aqui é vital”

Líderes cristãos incentivam a igreja a ser sal e luz em crise síria.

Inscrição em uma casa na Síria que diz “Jesus está conosco”

Algumas áreas rurais têm apresentado uma realidade sombria na Síria. Lá, cristãos estão reforçando suas casas com cimento por medo de ataques. Quando algumas famílias cristãs deslocadas retornaram a suas aldeias, encontraram suas casas ocupadas ou até mesmo transformadas em mesquitas.  


Há muitos relatos de cristãos sendo expulsos de casas que haviam comprado legalmente e vivido por anos sob o pretexto de uma manobra legal nessas regiões. Essas ações são vistas como mais um exemplo da segurança frágil enfrentada pelas comunidades cristãs na Síria neste momento.
 

“Não podemos desistir” 

Bispo Boutros, um líder cristão sírio na cidade de Alepo compartilhou uma reflexão sobre a crise na Síria: Os cristãos estão com medo, e isso é normal durante uma transição, especialmente após o impacto devastador da guerra sobre a comunidade cristã local. Temos razão em nos preocupar com o futuro. Mas o que não é normal é desistir, abrir mão de mostrar nossa presença e deixar as decisões para os outros. Precisamos não apenas ser ativos politicamente, mas também ser produtivos, ser uma parte viva desta nação. Nosso papel aqui é vital, nossa presença também. 


Em uma mensagem de voz que compartilhou com sua igreja, Boutros enfatizou a importância do amor pelo país e uma atitude positiva, mesmo diante do contexto atual. “Medo e preocupação levam ao isolamento, mas devemos reviver a relação com nossas raízes e com esta terra”, disse o líder cristão. 
 


As palavras do bispo refletem o desafio que está à frente dos cristãos sírios: como navegar um futuro de incerteza enquanto mantém sua fé?. “Não temas, pequeno
rebanho. Somos o sal da terra”, lembra Boutros afirmando que isso por si só lhes dá força, e os chamou a agir.
 


Por enquanto, os cristãos sírios com quem Leila*, uma representante da Portas Abertas, pôde conversar estão em um estado de confusão. Eles observam, esperam e anseiam que o futuro seja diferente do passado. Mas 
a falta de confiança é palpável, e o futuro é tudo menos certo. Alguns estão dispostos a ter esperança, mas fazem isso com cautela, incapazes de ignorar as lições do passado. É uma esperança frágil, que será testada à medida que a Síria continua sua lenta e dolorosa jornada em direção ao que quer que venha a seguir. 


*Leila é uma cristã de um país vizinho que tem experiência no contexto da Síria. Ela é afiliada à 
Portas Abertas e seu nome foi alterado para proteger sua identidade e garantir sua segurança. Ela conseguiu recentemente falar com vários cristãos sírios dentro do país, e eles compartilharam suas esperanças e medos para a Síria enquanto observam uma nova realidade. 


Pedidos de oração 


  • Clame para que a paz que excede todo o entendimento transborde no coração dos cristãos sírios.  
  • Interceda por sabedoria e força para que os líderes cristãos cuidem e encorajem a igreja durante a crise na Síria.  

  • Ore para que os cristãos sírios sejam fontes de esperança e amor nesse momento e alcancem mais vidas na Síria com a graça de Jesus.





Quem governa a Síria e o que isso significa para os cristãos?

Entenda como a queda de Bashar al-Assad impacta cristãos na Síria.

   A Igreja Perseguida na Síria precisa de nossas orações (foto representativa)


O mundo ficou surpreso no último fim de semana quando a Síria mudou, aparentemente da noite para o dia. Rebeldes tomaram a capital, Damasco, e o líder sírio, Bashar al-Assad, fugiu para a Rússia. Ele controlou o país por mais de 20 anos, assumindo o lugar de seu pai, que governou por quase 30 anos. Agora, pela primeira vez em quase 50 anos, a Síria não será liderada por um Assad. 


Em 29 de novembro, militantes sírios do 
Hayat Tahrir al-Sham (HTS), um grupo de oposição apoiado pela Turquia, chegou ao centro de Alepo, a segunda maior cidade da Síria. Dias depois eles tomaram as cidades de Hama, Homs e Damasco. No último sábado (7), Assad fugiu do país e os grupos rebeldes declararam vitória, hasteando a nova bandeira síria sobre Damasco. A tomada rebelde foi rápida, embora o terreno tenha sido preparado durante quase uma década de guerra civil. 

Quem são os novos líderes da Síria? 

Em tradução livre, o nome do grupo Hayat Tahrir al-Sham significa “Organização para a Libertação do Levante”. Ele se formou no começou de 2011 com outro nome, Jabhat al-Nusra, que era aliado da Al-Qaeda e, segundo a BBC, era a oposição mais eficaz e letal ao governo. Em 2016, o grupo cortou laços com a Al-Qaeda e assumiu o novo nome em 2017, quando se fundiu com outros grupos rebeldes.  


Há muito tempo, eles querem derrubar Assad e o Hezbollah (grupo extremista islâmico libanês apoiado pelo Irã) e instalar um governo islâmico na Síria. Sob o controle do grupo em Idlib, líderes cristãos não podiam andar fora de casa com roupas que os identificasse como cristãos. Além disso, cruzes foram removidas dos edifícios das igrejas.
 


Mas, não há relatos atuais de combatentes do HTS ameaçando cristãos ou outros grupos. E declarações públicas do grupo sugerem que eles querem se apresentar como tolerantes e com respeito aos direitos humanos. “Ninguém tem o direito de apagar outro grupo. Essas seitas coexistiram nesta região por centenas de anos, e ninguém tem o direito de eliminá-las”, disse o líder do HTS, Ahmed al-Sharaa, à CNN sobre os cristãos. 
 


“A transição de liderança na Síria provocou respostas mistas. Enquanto o HTS promete segurança e coexistência pacífica para todas as minorias, incluindo cristãos, persistem dúvidas devido às origens jihadistas do HTS e ao histórico de abusos dos direitos humanos”, explica Henriette Kats, analista de pesquisa da Portas Abertas no Oriente Médio.
 

O que isso significa para os cristãos? 

Os cristãos, como outros sírios, sentem-se inseguros, pois não sabem o que esperar. Em geral, eles temem que a mudança de controle tenha um impacto negativo na liberdade que tinham como cristãos. Mas o principal sentimento para os cristãos na Síria é a incerteza, simplesmente não há como saber o que o futuro reserva. Assad era amplamente visto como um tirano, o que explica a alegria que muitos sírios expressaram à mídia internacional desde sua queda. 


Mas a substituição de um tirano pode ser complicada e resultar em 
uma brecha no poder. Isso é o que aconteceu no Iraque em 2007, quando Saddam Hussein foi deposto e um vácuo de poder levou ao surgimento do “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” (ISIS, da sigla em inglês). Isso é o que os cristãos oram para que não aconteça. Há espaço para um otimismo cauteloso, particularmente, porque o HTS está dizendo muitas coisas certas. Mas, agora, o futuro é simplesmente desconhecido. 


Confira dez formas de orar pela Síria na 
notícia e faça a diferença para nossos irmãos e irmãs perseguidos sírios. Leia aqui! 


Cristã descreve nova realidade da igreja na Síria

 Hoda permaneceu em Damasco desde o início da crise.

Entenda como os cristãos foram afetados pela mudança de governo na Síria (foto representativa)


Enquanto o mundo continua a lidar com o que a nova liderança na Síria significa para as pessoas dentro do país, é fácil perder de vista o que está acontecendo com grupos minoritários, como os cristãos. Grande parte da cobertura sobre a rápida queda do regime de Assad focou na alegria pela derrubada de um tirano e na incerteza que paira sob a autoridade dos novos governantes da Síria. 


Hoda*, uma cristã que permaneceu em Damasco desde o início da crise, descreve aqueles primeiros dias com insegurança e confusão. “No começo, não conseguia entender completamente o que estava acontecendo. Eu ouvia falar que a igreja estava organizando ônibus para cristãos saírem de Alepo, outros diziam que os rebeldes haviam tomado a cidade de Hama, enquanto a TV estatal nos assegurava que tudo estava sob controle. Era um caos. Tinha que ligar para amigos em outras cidades para entender tudo, 
mesmo assim, a confusão permanecia”, conta Hoda. 


Sobre o papel da fé nesse momento de crise, ela afirma: “Vou admitir, eu estava mais preocupada em seguir as notícias do que qualquer outra coisa no início. Mas tivemos amigos cristãos que nos procuraram para orar e ler salmos conosco. Isso nos deu algum conforto”.
 


O papel da igreja na crise
 


Hoda também menciona que a igreja síria estava pronta para receber cristãos deslocados, mas sente que 
o trabalho tem sido cauteloso. Sobre as maiores necessidades da comunidade cristã agora, ela comenta: “Precisamos de segurança, de garantias. Precisamos saber que ainda podemos adorar ao Senhor livremente, ir à igreja, frequentar a escola dominical, sem nenhuma ameaça”.  


A escassez de recursos básicos, como água, e o alto custo de vida se somam à situação já precária. “Os itens essenciais estão ficando cada vez mais fora de alcance. A esperança parece fraca. Oro para que essa conversa de abertura e tolerância seja real. Mas, se eu for honesta, 
gostaria de poder deixar a Síria. Não quero viver em um país à beira do desastre”, assume a cristã.  


Além dos desafios de sobrevivência, a liberdade religiosa está ainda mais limitada. “Pessoalmente, nunca me senti ameaçada na minha própria região, de maioria cristã. Mas sei que isso não é verdade para outras partes da Síria, especialmente em áreas de maioria muçulmana, onde não há a mesma segurança. 
Alguns até temem andar em público, compartilha Hoda.  


Hoda enfatiza a 
importância da segurança, da capacidade de adorar livremente e da provisão de necessidades básicas, como água e vida acessível. “Precisamos de suas orações e apoio. Precisamos sentir que não fomos esquecidos”, ela conclui. Por favor, continue a orar com seus irmãos e irmãs na Síria.  


*Nome alterado por segurança. 

Pedidos de oração
 


  • Peça a Deus para levar paz à Síria.  
  • Clame para que a nova liderança do país cumpra as promessas de proteger todas as pessoas, independentemente da fé. 
  • Interceda por Hoda e por todos os cristãos atemorizados na Síria.  


Feliz Natal!

Olá, leitoras e leitores da Kemp Missões!

Hoje comemoramos o Natal. Em minha família, sempre foi comum ler os relatos do nascimento de Jesus, e é sobre um desses trechos que eu gostaria de falar neste curto texto.

Em Lucas 1.31-33, lemos a resposta do anjo a Maria: "Você ficará grávida e dará à luz um filho, a quem chamará pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo. Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai. Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim". Nela, inúmeras promessas são feitas a Maria. Muitas delas (esp. v. 32-33) também poderiam ser dirigidas a nós, agora, neste Natal. Jesus realmente fez coisas grandiosas e foi chamado de "Filho do Deus Altíssimo" (Mc 5.7; Lc 8.28); toda a autoridade já lhe foi dada (Mt 28.18); e cremos que ele um dia se assentará no trono de Davi e reinará para sempre.

Enquanto aguardamos o retorno de Cristo, podemos ler essa história e se maravilhar com tudo que Jesus cumpriu. Também podemos continuar lendo e tomar a mesma atitude de Maria, que se deixou ser usada por Deus: "Aqui está a serva do Senhor; que aconteça comigo o que você falou" (Lc 1.38). Aproveitemos este final de semana para repetir, junto com Maria, nossa disposição em servir ao Senhor no que ele desejar.

Feliz Natal a Todos!

Sam Kemp
Editor

domingo, 6 de outubro de 2024

A Luta de Israel pela Sobrevivência

 Há cada vez mais cristãos rejeitando Israel, mas seria sequer possível para um cristão renascido não apoiar a nação?

Deus diz na antiga aliança: “Sobre as suas muralhas, ó Jerusalém, pus guardas, que jamais se calarão, nem de dia nem de noite. Vocês, que farão com que o Senhor se lembre, não descansem, nem deem a ele descanso até que restabeleça Jerusalém e a ponha por objeto de louvor na terra” (Isaías 62.6-7).

Já nos salmos lemos: “Orem pela paz de Jerusalém! ‘Que sejam prósperos aqueles que a amam. Reine paz em seu meio e prosperidade nos seus palácios.’ Por amor dos meus irmãos e amigos, eu peço: ‘Haja paz em você!’ Por amor da Casa do Senhor, nosso Deus, buscarei o seu bem” (Salmos 122.6-9).

Cristãos que creem na Bíblia são como sentinelas nos muros de Jerusalém e oram pela paz da cidade de Deus. Eles apoiam Israel não porque a nação judia seja melhor que outras nações, mas porque Deus escolheu o povo judeu e lhe prometeu um futuro glorioso.

A palavra profética de Deus mostra que a luta contra Israel é a luta de Satanás contra Deus. Em particular desde 7 de outubro de 2023, essa realidade está nitidamente diante dos nossos olhos, bastando observar o fluxo diário de notícias. O brutal ataque terrorista do Hamas não despertou a compreensão do mundo a favor de Israel, pelo contrário: desde então, o antissemitismo global vem crescendo continuamente. Os judeus são usados como bode expiatório para tudo. O noticiário sobre a guerra em Gaza divulga muitas falsidades sobre Israel, como por exemplo a acusação de que Israel estaria retendo ajudas materiais, provocando uma crise de fome. A ONU tornou-se uma ferramenta dos inimigos de Israel, e mesmo os aliados mais próximos do Estado judeu, como os EUA, não lhe oferecem mais respaldo. Israel está sujeito a uma pressão maciça.

O aspecto notável em tudo isso é que Israel é tema de comentários por toda parte. Todos têm alguma opinião sobre a guerra em Gaza, o Estado judeu e os palestinos, ainda que poucos conheçam as causas do conflito. No entanto, por que justamente Israel? Por que quase ninguém fala das afrontas aos direitos humanos na China, no Sudão, na Líbia e nos países muçulmanos em geral? Por que ninguém comenta a injustiça sofrida pelos curdos apátridas? Israel é diferente. Até aqueles que odeiam o povo de Deus percebem isso sem poderem explicar bem por que o odeiam.

Israel é diferente. Até aqueles que odeiam o povo de Deus percebem isso sem poderem explicar bem por que o odeiam.

Desde 7 de outubro, muitos crentes tentam classificar corretamente as terríveis ocorrências em Israel e arredores. Alguns se reportam ao profeta Sofonias ou a outras passagens nos profetas veterotestamentários para estabelecer uma ligação entre a profecia bíblica e a atual guerra de Gaza. Uma citação frequente é Sofonias 2.4: “Gaza será abandonada, e Asquelom ficará deserta; Asdode, ao meio-dia, será expulsa, e Ecrom será desarraigada”.

No entanto, apesar de possíveis paralelismos, nem o ataque terrorista do Hamas nem a reação militar de Israel são mencionados diretamente na Palavra de Deus. O período de tribulação no qual as previsões dos profetas ainda em aberto começam a se cumprir ainda não chegou. O Anticristo não governa e o Cordeiro ainda retém a sua ira. De fato, ninguém contava com a guerra de Gaza. As ameaças do Hamas nunca foram levadas a sério e Israel também nunca planejou secretamente atacar e destruir Gaza. Antes de 7 de outubro, todos se enganaram ao avaliar a situação. Israel e todos os observadores do Oriente Médio foram atropelados quando o Hamas atacou.

No entanto, conforme já se indicou, podemos em geral considerar que a luta contra Israel é uma luta contra Deus, ainda que os implicados não se deem conta disso. Os conflitos em Israel e seus arredores têm um significado e um propósito na história sagrada: o preparo de Israel para a segunda vinda do Senhor. Tudo converge para esse ponto em que o Messias de Israel se manifestará em glória.

Os conflitos em Israel e seus arredores têm um significado e um propósito na história sagrada: o preparo de Israel para a segunda vinda do Senhor.

Do ponto de vista humano, Israel enfrenta uma situação impossível: uma pequena nação judia cercada de países islâmicos muito maiores – com enclaves islâmicos no próprio país, tais como a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, foco atual do conflito. A fronteira com a Cisjordânia mede 791 km, a fronteira entre Israel e a Jordânia é de 309 km, a fronteira com o Líbano tem 79 km, com a Síria 92 km, com o Egito 241 km e com a Faixa de Gaza 40 km. As nações em torno de Israel não são aliadas, mas tradicionalmente sempre foram hostis ao povo judeu: o Egito, a Jordânia, a Síria, o Líbano, o Irã, a Turquia, o Iraque, a Arábia Saudita, o Iêmen, a Líbia...

Como Israel poderá se defender com sucesso a longo prazo se em todas as frentes em torno do país irromper a guerra? Existem três possíveis soluções para o conflito do Oriente Médio.

A primeira possibilidade é a solução de Estado único: em Israel há palestinos e israelenses convivendo com direitos iguais no mesmo Estado. Isso soa maravilhoso, e seria mesmo se ambas as partes desejassem igualmente a paz da outra. A realidade, porém, é que em tal caso a população muçulmana predominaria, conforme revela um olhar na demografia da região, de modo que em pouco tempo o estado judeu não seria mais judeu e sim árabe islâmico – e a situação dos judeus em países dominados pelo islã pode ser observada amplamente nas nações em torno. Seria o fim do sionismo com o objetivo de um lar seguro e isento de perseguições para o povo judeu.

A segunda possibilidade parece ser a mais realista do ponto de vista secular: uma solução de dois Estados, com Israel judeu e ao lado dele um Estado árabe da Palestina. No entanto, conforme mostra o cruel ataque do Hamas e também a crescente predileção por este grupo entre os palestinos, isso dificilmente proporcionaria uma paz autêntica na região. O famoso slogan “do rio ao mar” já expressa que o Hamas deseja o extermínio total do povo judeu em toda a região de Israel. Nada mais no Oriente Médio continuaria pertencendo ao povo judeu. O objetivo declarado dos inimigos de Israel continua sendo empurrar os judeus para o mar, e eles considerariam a solução de dois Estados apenas como algo provisório, em rumo a esse objetivo.

A terceira solução parece ser a mais utópica, mas, em última análise, é a única que proporcionará paz permanente à região: é o reino de Deus, governado a partir de Jerusalém, tal como foi anunciado pelos profetas do Antigo Testamento – o chamado Grande Israel. Essa solução jamais poderá ser concretizada pelo poderio militar próprio de Israel. Ela só será possível quando Jesus Cristo, o Príncipe da Paz, voltar e pisar no monte das Oliveiras para julgar as nações e salvar Israel.

A única solução que proporcionará paz permanente à região é o reino de Deus, governado a partir de Jerusalém, tal como foi anunciado pelos profetas do Antigo Testamento.

O livro de Zacarias, especialmente os capítulos de 12 a 14, detalha esse maravilhoso futuro. Em Zacarias 2.8 e 4.6 temos as seguintes impressionantes palavras:

“Pois assim diz o Senhor dos Exércitos: Para obter a glória, ele me enviou às nações que saquearam os bens de vocês. Porque aquele que tocar em vocês toca na menina dos meus olhos”. E: “Ele prosseguiu e me disse: ‘Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: “Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito”, diz o Senhor dos Exércitos’”.

A trajetória de Israel até a redenção passará por sofrimentos: “Ah! Que grande é aquele dia, e não há outro semelhante! É tempo de angústia para Jacó, mas ele será salvo dela” (Jeremias 30.7).

Zacarias 11.15-17 anuncia o Anticristo para esse período de tribulação: “O Senhor me disse: ‘Agora pegue os apetrechos de um pastor insensato. Porque eis que levantarei na terra um pastor que não cuidará das ovelhas que estão perecendo, não buscará a desgarrada, não curará a que foi ferida, nem apascentará a sã, mas comerá a carne das ovelhas gordas e arrancará até os cascos delas. Ai do pastor inútil que abandona o rebanho! A espada cairá sobre o seu braço e sobre o seu olho direito; o braço ficará completamente seco, e o olho direito totalmente cego’”.

E Jesus disse ao povo em sua primeira vinda: “Eu vim em nome de meu Pai, e vocês não me recebem; se outro vier em seu próprio nome, vocês certamente o receberão” (João 5.43).

Os conflitos em Israel e seus arredores têm um significado e um propósito na história sagrada: o preparo de Israel para a segunda vinda do Senhor.

O Anticristo será um falso Messias, e quando ele se levantar começarão os juízos divinos da tribulação que desembocarão na redenção de Israel. Zacarias 12 a 14 refere-se 17 vezes a isso como “naquele dia”. Deus deixará que as nações da terra marchem contra Israel, porque antes de tudo ele precisa humilhar o seu povo para depois salvá-lo. Ao mesmo tempo, essa última campanha contra a cidade de Deus levará ao julgamento dos reinos deste mundo (Zc 12.1-9). Deus derramará o seu Espírito sobre Jerusalém para que o povo judeu reconheça o seu Messias e venha a se arrepender à luz desse reconhecimento (Zacarias 12.10-14).

Durante esse período da tribulação de Jacó – “naquele dia” – Israel será purificado (Zc 13.1-2), selecionado (13.8), libertado de todos os inimigos (14.3-15) e plenamente santificado pelo Senhor (14.20-21). Ao ler atentamente os capítulos 12 a 14 do profeta Zacarias, nota-se que as profecias não são rigorosamente cronológicas. As diversas visões escatológicas iluminam por diferentes ângulos o que ocorrerá “naquele dia”. Assim, as passagens de 12.2-3, 13.8 e 14.1-2 tratam do mesmo evento, ou seja, do ataque das nações a Israel e o sítio de Jerusalém:

“Eis que eu farei de Jerusalém um cálice de atordoamento para todos os povos vizinhos e também para Judá, durante o sítio contra Jerusalém. Naquele dia, farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos. Todos os que tentarem erguê-la ficarão gravemente feridos. E todas as nações da terra se ajuntarão contra ela” (Zacarias 12.2-3). “‘Em toda a terra’, diz o Senhor, ‘dois terços dela serão eliminados e morrerão; mas uma terça parte irá sobreviver’” (Zacarias 13.8). “Eis que vem o Dia do Senhor, em que o seu despojo será repartido dentro de você, ó Jerusalém. Porque eu ajuntarei todas as nações para a batalha contra Jerusalém. A cidade será tomada, as casas serão saqueadas e as mulheres, violentadas. Metade da cidade será levada para o cativeiro, mas o restante do povo não será expulso da cidade” (Zacarias 14.1-2).

Esses terríveis eventos de tribulação e purificação de Israel têm um objetivo, a saber: “Farei essa terça parte passar pelo fogo, e a purificarei como se purifica a prata, e a provarei como se prova o ouro. Eles invocarão o meu nome, e eu os atenderei. Direi: ‘Vocês são o meu povo’, e eles responderão: ‘O Senhor é o nosso Deus’” (Zacarias 13.9).

O anúncio do sítio de Jerusalém começa com as palavras: “Sentença pronunciada pelo Senhor a respeito de Israel. O Senhor, que estendeu o céu, fundou a terra e formou o espírito do ser humano dentro dele...” (Zacarias 12.1). Essa introdução nos permite enxergar corretamente tudo o que segue sobre a tribulação de Jacó, a tribulação “naquele dia”: todas as confusões e guerras, toda sedução e aniquilação, toda proteção e salvação provêm daquele que está assentado no trono. Deus é e permanece soberano em tudo e acima de tudo.

É como enfatiza Isaías 46.9-10: “Lembrem-se das coisas passadas, das coisas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim. Desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade revelo as coisas que ainda não sucederam. Eu digo: o meu conselho permanecerá em pé, e farei toda a minha vontade”. E Deuteronômio 32.39: “Vejam, agora, que eu, sim, eu sou Ele, e que não há nenhum deus além de mim; eu mato e eu faço viver; eu firo e eu saro; e não há quem possa livrar alguém da minha mão”.

Não é sem motivo que Zacarias chama Jerusalém de “cálice de atordoamento” (Zacarias 12.2). É com essa cidade que as nações se embebedarão e embriagarão. O ardente desejo de aniquilar os habitantes desta cidade em particular subirá à cabeça dos vizinhos de Israel como uma bebida embriagadora, e a ilusão de que a aniquilação de Israel finalmente trará a paz ao mundo induzirá as outras nações à guerra. Todavia, sua embriaguez cederá a uma terrível sobriedade: tarde demais elas terão de reconhecer que desafiaram o Deus de Israel. Assim, Zacarias menciona todos os povos em redor e chama Jerusalém de “pedra pesada para todos os povos”. Essa guerra do fim dos tempos envolverá o mundo inteiro.

Deus estabeleceu a cidade de Jerusalém como cálice de atordoamento e pedra pesada: ele mesmo cuidará para que não possa haver nenhuma solução humana para o conflito do Oriente Médio. Nem uma solução de Estado único nem a de dois Estados são a resposta, mas apenas e tão-somente o reino de Deus, quando o Senhor estender a sua mão para julgar as nações, purificar o seu povo e anunciar a chegada do Messias. Portanto, a luta de Israel pela sobrevivência só terminará quando se cumprirem duas condições estabelecidas por Deus: que os árabes não possuam mais a terra que Deus prometeu a Abraão e seus descendentes, e os judeus poderão viver em paz na terra dos seus pais quando tiverem recebido Jesus como seu Messias.

Zacarias mostra que Deus abrirá os olhos dos judeus em meio à sua extrema tribulação. Então reconhecerão em Jesus o seu Messias, seu Pastor, seu Rei e seu Salvador. Depois dessa última grande guerra descrita em Zacarias 12.1-3; 13.8 e 14.1-2, virá a conversão nacional, quando o remanescente de Israel olhar para Jesus ou Yeshua: “E sobre a casa de Davi e sobre os moradores de Jerusalém derramarei o espírito da graça e de súplicas. Olharão para aquele a quem traspassaram. Prantearão por ele como quem pranteia por um filho único e chorarão por ele como se chora amargamente pelo primogênito” (Zacarias 12.10; cf. 13.8-9).

Depois dessa última grande guerra descrita em Zacarias [...], virá a conversão nacional, quando o remanescente de Israel olhar para Jesus.

Não será a força ou a combatividade de Israel que trará a vitória, nem a vigilância do Mossad nem o poder bélico das Forças de Defesa Israelenses (IDF) – será Deus que lutará e vencerá em favor do seu povo:

“Naquele dia, diz o Senhor, farei com que todos os cavalos fiquem espantados e os seus cavaleiros fiquem loucos. Manterei os meus olhos abertos sobre a casa de Judá e farei com que todos os cavalos dos povos fiquem cegos. Então os chefes de Judá pensarão assim: ‘Os moradores de Jerusalém têm a força do Senhor dos Exércitos, seu Deus’. Naquele dia, porei os chefes de Judá como um braseiro aceso debaixo da lenha e como uma tocha acesa entre os feixes de trigo. Eles destruirão à direita e à esquerda todos os povos em redor, e Jerusalém será habitada outra vez no seu lugar, na própria Jerusalém. O Senhor salvará primeiramente as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos moradores de Jerusalém não sejam exaltadas acima de Judá. Naquele dia, o Senhor protegerá os moradores de Jerusalém. O mais fraco dentre eles, naquele dia, será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o Anjo do Senhor diante deles. Naquele dia, procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém” (Zacarias 12.4-9). “Então o Senhor sairá e lutará contra essas nações, como ele costumava lutar no dia da batalha. Naquele dia, os seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras, que está em frente de Jerusalém, para o leste. O monte das Oliveiras será fendido pelo meio, do leste ao oeste, formando um grande vale. Metade do monte se afastará para o norte, e a outra metade, para o sul” (Zacarias 14.3-4).

Então será satisfeito o anseio de Israel e sua luta pela sobrevivência terminará. Então o Príncipe da Paz governará. Por isso, se nós, como crentes na Bíblia, apoiarmos Israel como vigias sobre os muros de Jerusalém, orando pela paz, isto significará principalmente que clamaremos e rogaremos: “Maranata! Vem, Senhor nosso!”.