Páginas

sábado, 24 de agosto de 2013

A Herança Calvinista do Dispensacionalismo


O moderno dispensacionalismo sistemático chega à casa dos duzentos anos de expressão e desenvolvimento. Vivemos um momento em que o dispensacionalismo e alguns de seus conceitos têm sido propagados e adotados por grupos de diferentes tradições religiosas. Isso não é surpresa, pois nossa época se caracteriza pela anti-sistematização e pelo ecletismo na área do pensamento. Talvez a grande surpresa para alguns seja o fato de que o dispensacionalismo se desenvolveu e difundiu, durante os seus primeiros 100 anos, entre aqueles que se mantiveram na tradição calvinista reformada. Somente de 75 a 50 anos para cá é que o dispensacionalismo e algumas de suas convicções se propagaram, de modo significativo, fora da órbita do calvinismo.

Definições

Antes de prosseguirmos, preciso estabelecer definições funcionais do que quero dizer com calvinismo e dispensacionalismo. Em primeiro lugar, ao mencionar calvinismo me refiro, principalmente, ao sistema teológico relacionado à doutrina da graça ou calvinismo soteriológico. Incluem-se nessa categoria o calvinismo estrito e o modificado (i.e, o calvinismo de cinco pontos e o de quatro pontos, respectivamente). Refiro-me àquele aspecto do calvinismo que trata da natureza decaída do ser humano e da graça eletiva de Deus.
Em segundo lugar, ao mencionar dispensacionalismo, faço alusão ao sistema teológico desenvolvido por J. N. Darby que deu origem à sua moderna ênfase na interpretação literalcoerente; na distinção entre o plano de Deus para Israel e o Seu plano para a Igreja; normalmente, no Arrebatamento pré-tribulacional da Igreja antes da septuagésima semana de Daniel; no pré-milenismo; e na multiforme proeminência da glória de Deus como o propósito final da história. Nisso se incluem alguns que, tendo adotado tal sistema, talvez parem, de repente, de crer no pré-tribulacionismo. O foco da atenção deste artigo é o pré-milenismo dispensacionalista.

A lógica teológica

Em concordância com o ímpeto calvinista de olhar teocentricamente a história, creio que o pré-milenismo dispensacional propõe o mais lógico final escatológico dos decretos soberanos de Deus quanto à salvação e à história. Visto que os pré-milenistas dispensacionais consideram as promessas divinas, tanto a da eleição de Israel quanto a da eleição da Igreja, como incondicionais e certas no seu futuro cumprimento, tal convicção é lógica e coerente com a Bíblia. Um teólogo aliancista diria que a eleição de Israel era condicional e temporária. Muitos calvinistas são teólogos aliancistas que acreditam na incondicionalidade e irrevogabilidade da eleição dentro da Igreja. Estes entendem que o plano divino para Israel está condicionado à escolha humana, ao passo que o plano de Deus para a salvação no âmbito da Igreja é, em última análise, um ato soberano dEle. Não há simetria em tal lógica. Enquanto isso, os pré-milenistas dispensacionais entendem ambos os atos como uma expressão soberana do plano divino na história, que vem a ser uma aplicação coerentemente lógica da vontade soberana de Deus nas questões humanas.
Samuel H. Kellogg, pastor, missionário e educador presbiteriano, escreveu sobre a lógica entre o calvinismo e o “pré-milenismo futurista moderno”, que em sua época (1888) era essencialmente dispensacional. “Porém, em geral”, comenta Kellogg, “pode-se dizer acertadamente que as relações lógicas do pré-milenismo o aproximam mais intimamente do sistema agostiniano do que de qualquer outro sistema teológico”.[1] Sua utilização do termo “agostiniano” é uma nomenclatura mais antiga para o termo “calvinista”. Kellog salienta as diversas áreas nas quais o calvinismo e o pré-milenismo são teologicamente unânimes. “O pré-milenismo pressupõe uma antropologia fundamentalmente agostiniana. O calvinismo comum declara a completa impotência do indivíduo quanto à sua auto-regeneração e auto-redenção”.[2] Ele prossegue: “é evidente que as pressuposições antropológicas, nas quais o pré-milenismo parece se basear, devem trazer consigo uma soteriologia semelhante”.[3] Kellogg fundamenta que “a afinidade agostiniana da escatologia pré-milenista fica mais evidente. Não há nada mais acentuado do que a constante insistência dos pré-milenistas de que [...] a atual dispensação é estritamente eletiva”.4 “Em suma”, conclui Kellogg, “podemos dizer que aquilo que os pré-milenistas simplesmente afirmam ser o macrocosmo, os agostinianos em geral declaram ser o microcosmo”.[5]
Isso não quer dizer que dispensacionalismo e calvinismo são sinônimos. Eu simplesmente argumento que o dispensacionalismo é compatível com certos elementos do calvinismo, o que proporciona uma resposta parcial para a questão do dispensacionalismo ter se originado do útero reformado. C. Norman afirma:
Há, por certo, importantes elementos calvinistas do século XVII no dispensacionalismo moderno, mas estes elementos foram combinados com ênfases doutrinárias provenientes de outras fontes, a fim de formar um sistema diferente que, em muitos aspectos, é completamente estranho ao calvinismo clássico.[6]
Apesar disso, o dispensacionalismo de fato se desenvolveu dentro da comunidade reformada e, durante seus primeiros 100 anos, a maioria dos adeptos vinha de um ambiente calvinista. Kraus chega à seguinte conclusão: “Levando tudo isso em conta, ainda é preciso assinalar-se que as afinidades teológicas básicas do dispensacionalismo são calvinistas. A esmagadora maioria de homens envolvidos nos movimentos de conferências bíblicas e proféticas endossava declarações de fé calvinistas”.[7]

Darby e o Movimento dos Irmãos

O dispensacionalismo sistemático moderno desenvolveu-se nos idos de 1830 por J. N. Darby e aqueles que faziam parte do Movimento dos Irmãos.
O dispensacionalismo sistemático moderno desenvolveu-se nos idos de 1830 por J. N. Darby e aqueles que faziam parte do Movimento dos Irmãos. Praticamente todos esses homens procediam de igrejas cuja soteriologia era calvinista. “Em se tratando de teologia”, relata H. H. Rowdon, historiador do Movimento dos Irmãos, “os primeiros Irmãos eram unanimemente calvinistas”.[8] Isso ecoa nas palavras de um dos fundadores dos Irmãos, J. G. Bellet, que começava sua associação com o movimento, quando seu irmão, George, escrevendo a seu respeito, disse: “pois suas convicções decididamente se tornaram mais calvinistas, e acredito que todos os amigos com quem se associara em Dublin, sem exceção, eram desta posição”.[9]
Qual era a posição de Darby nessa questão? John Goddard comenta que Darby “cria na predestinação de indivíduos e rejeitava o esquema arminiano de que Deus não predestinou aqueles que de antemão sabia que se conformariam à imagem de Cristo”.[10] Em sua “Letter on Free-Will” (i.e., “Carta Sobre o Livre-Arbítrio”), Darby deixa claro que rejeita esse conceito. “Se Cristo veio salvar o perdido, o livre-arbítrio não tem mais razão de ser”.[11] “Creio que devamos nos apegar à palavra”, prossegue Darby, “mas, filosófica e moralmente falando, o livre-arbítrio é uma teoria falsa e absurda. Livre-arbítrio é um estado de pecado”.[12] Em virtude de crer na escravidão do pecado, Darby, logicamente, manteve sua crença na graça soberana como condição para a salvação:
O desdobramento desse princípio da graça soberana é tal que sem ele ninguém seria salvo, pois não há quem entenda, não há quem busque a Deus, nenhuma pessoa que, por seus próprios esforços, consiga um dia ter vida. O julgamento baseia-se nas obras; a salvação e a glória são fruto da graça”.[13]
Outra evidência do calvinismo de Darby é que ele, pelo menos em duas ocasiões, foi convidado por calvinistas não-dispensacionalistas para representá-los na defesa do calvinismo. Um dos biógrafos de Darby, W. G. Turner, registrou a sua defesa no debate ocorrido na Universidade de Oxford:
Foi numa data mais remota (acredito que em 1831) que F. W. Newman convidou o Sr. Darby para ir a Oxford: um momento memorável por sua refutação pública dos argumentos levantados pelo Dr. E. Burton que rejeitavam as doutrinas da graça defendidas pelos reformadores e sustentadas não somente por Bucer, P. Mártir e pelo bispo Jewell, mas também pelos artigos IX-XVIII da Igreja Anglicana.[14]
Noutra ocasião, Darby foi convidado para ir à cidade de Calvino, Genebra, na Suíça, a fim de fazer uma defesa do calvinismo. Turner declara que “ele refutou o ‘perfeccionismo’ de John Wesley, para alegria da Igreja Livre da Suíça”.[15] Darby foi condecorado pelos líderes de Genebra com a medalha de honra ao mérito.[16]
E ainda, quando algumas doutrinas reformadas foram criticadas dentro da igreja a que outrora servira, “Darby assinalou sua aprovação do artigo XVII”, que trata da eleição e predestinação, “incluso nos trinta e nove artigos da declaração doutrinária da Igreja Anglicana”.[17] Darby afirmou:
De minha parte, em sã consciência, reputo como sábio o artigo XVII. Talvez possa dizer que se trata da mais sábia e condensada declaração humana, que eu conheça, sobre o conteúdo em questão. Estou plenamente satisfeito em interpretá-lo em seu sentido literal e gramatical. Creio que a predestinação para a vida é o propósito eterno de Deus, por meio do qual, antes que os fundamentos do mundo fossem estabelecidos, Ele decretou firmemente salvar dentre a raça humana aqueles que escolhera em Cristo, pelo Seu conselho que nos é secreto, e apresentá-los, por intermédio de Cristo, como vasos de honra, para a eterna salvação.[18]

Scofield, Chafer e o Seminário Teológico de Dallas

Bíblia de Scofield com Referências é considerada por muitos como a ferramenta mais eficaz na disseminação do dispensacionalismo nos Estados Unidos. Foto: C. I. Scofield.
C. I. Scofield (1843-1921), Lewis Sperry Chafer (1871-1952) e o Seminário Teológico de Dallas (fundado em 1924) foram importantes veículos na propagação do dispensacionalismo nos Estados Unidos e no mundo. Tanto Scofield quanto Chafer eram pastores ordenados pela Igreja Presbiteriana. A Bíblia de Scofield com Referências é considerada por muitos como a ferramenta mais eficaz na disseminação do dispensacionalismo nos Estados Unidos.[19] Scofield se converteu a Cristo na meia-idade e, primeiramente, foi discipulado por James H. Brookes em Saint Louis. Foi ordenado ao ministério da Primeira Igreja Congregacional de Dallas em 1882 e transferiu suas credenciais ministeriais para a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos em 1908.[20] Conseqüentemente, seu ministério se desenvolveu num contexto calvinista.
Scofield foi a maior influência no desenvolvimento teológico de Chafer. John Hannah menciona que “é impossível entender Chafer sem que se perceba a profunda influência de Scofield”.[21] Na realidade, “Chafer sempre comparava esse relacionamento ao de pai e filho”.[22] Tal relacionamento originou-se do aprendizado de Chafer sob a tutela de Scofield na Conferência de Northfield e da transformação de vida incentivada pelos estudos de Scofield à frente da Primeira Igreja Congregacional de Dallas nos primórdios de 1900. Scofield disse a Chafer que seus dons relacionavam-se mais com a área de ensino do que com a de evangelismo na qual este tinha atuado. Em seguida, “os dois oraram juntos e Chafer dedicou a sua vida inteira ao estudo e ao ensino da Bíblia”.[23]
Scofield e Chafer foram dois dos maiores dispensacionalistas americanos e ambos desenvolveram sua teologia a partir de um contexto reformado. Scofield é conhecido por sua Bíblia de Estudo e Chafer pela publicação de sua Teologia Sistemática e pelo Seminário Teológico de Dallas. Jeffrey Richards descreve as características teológicas de Chafer mencionando que “têm muito em comum com toda a tradição reformada. Com exceção da escatologia, Chafer é teologicamente parecido com os expoentes da teologia de Princeton, tais como Warfield, Hodge e Machen. Reconhecia, de modo semelhante, doutrinas como, por exemplo, a soberania de Deus [...] a depravação total da humanidade, a eleição, a graça irresistível e a perseverança dos santos”.[24] C. Fred Lincoln descreve a obra de Chafer intitulada Systematic Theology (Teologia Sistemática – publicada em português pela Editora Hagnos. N.T.), como “completa, calvinista, pré-milenista e dispensacionalista”.[25]
Desde a sua fundação em 1924 com o nome The Evangelical Theological College (mudado em 1936 para Dallas Theological Seminary), o Seminário de Dallas causou um impacto de proporções globais a favor do dispensacionalismo. Seu principal fundador foi Chafer. Entretanto, William Pettingil e W. H. Griffith-Thomas também desempenharam um papel importante na sua fundação. Pettingil, à semelhança de Chafer, era presbiteriano. Griffith-Thomas, um anglicano, escreveu um dos melhores comentários sobre Os Trinta e Nove Artigos (de Fé) da Igreja Anglicana,[26] que até hoje são largamente utilizados por anglicanos e episcopais conservadores. Os Trinta e Nove Artigos são fortemente calvinistas. Esses dois homens eram claramente calvinistas. O Seminário de Dallas, especialmente antes da Segunda Guerra Mundial, se considerava calvinista. Certa feita, num folheto de propaganda, Chafer caracterizou a escola como “plenamente de acordo com a fé reformada e sua teologia é estritamente calvinista”.[27] Numa carta escrita a Allan MacRae, do Seminário Teológico de Westminster, Chafer declarou: “Você provavelmente sabe que somos calvinistas declarados em nossa teologia”.[28] “Em 1925, quando se referia ao corpo docente do Seminário, Chafer fez uma observação de que quase todos eram procedentes de igrejas presbiterianas das regiões Sul e Norte do país”.[29] Além disso, escrevendo a um pastor presbiteriano, Chafer afirmou: “Eu me alegro em afirmar que não existe instituição, que eu saiba, mais calvinista como um todo, nem mais ajustada, por inteiro, a esse sistema de doutrina, defendido pela Igreja Presbiteriana”.[30]
Visto que muitos dos primeiros formandos de Dallas ingressaram no ministério presbiteriano, iniciou-se uma reação ao seu pré-milenismo dispensacionalista nos idos de 1930. Não era uma questão de serem ou não calvinistas na sua soteriologia, mas uma questão referente à sua escatologia. No final da década de 1930, “o Seminário Teológico de Dallas, embora professasse firmemente ser uma instituição presbiteriana, foi deixado fora do movimento conservador presbiteriano dissidente”.[31] Em 1944, os presbiterianos do Sul dos EUA emitiram o relatório de um comitê de investigação da compatibilidade do dispensacionalismo com a Confissão de Fé de Westminster. O comitê decretou que o dispensacionalismo não se harmonizava com a confissão de fé da igreja. Esse “relatório de 1944 foi o golpe que acabou com todas as espectativas futuras do pré-milenismo dispensacionalista dentro do presbiterianismo do Sul do país”.[32] Essa deliberação fez com que muitos ex-alunos do Seminário de Dallas deixassem seus ministérios em denominações de fé reformada e ingressassem no movimento de Igrejas Bíblicas independentes.

Um aumento na aceitação do dispensacionalismo

Ainda que o dispensacionalismo tenha tido, já na década de 1880, uma modesta penetração entre os batistas, através de representantes como, por exemplo, J. R. Graves,[33] um calvinista convicto, estes foram repelidos pelos não-calvinistas até meados da década de 1920, quando elementos da teologia dispensacionalista começaram a ser adotados por alguns pentecostais numa tentativa de rebater a crescente ameaça do liberalismo. Kraus explica:
Alguns professores declararam explicitamente que o pré-milenismo era um escudo de defesa contra a teologia racionalista. Assim, não é de se admirar a descoberta de que rudimentos teológicos normativos do dispensacionalismo tenham concorrido diretamente contra a ênfase da “Nova Teologia” em desenvolvimento.[34]
Até esse ponto na história, aqueles que eram de tradição arminiana e wesleyana estavam mais interessados nas questões relativas à santificação pessoal no presente, do que à atenção calvinista em explicar a obra soberana de Deus no decurso da história. Contudo, o surgimento da controvérsia fundamentalista-liberal na década de 1920 despertou um interesse pela defesa da Bíblia contra os ataques anti-sobrenaturalistas dos críticos liberais, que ultrapassava o âmbito do calvinismo. O dispensacionalismo foi visto como uma resposta bíblica e conservadora ao liberalismo, não apenas no meio fundamentalista, mas também, e cada vez mais, entre os pentecostais e outros grupos. Timothy Weber faz a seguinte observação:
Em tempo, o dispensacionalismo também teve seus adeptos dentro da tradição wesleyana. Outros grupos radicais da denominação Holiness repercutiram as predições dispensacionalistas de declínio da ortodoxia e da consagração nas igrejas; e os pentecostais descobriram no dispensacionalismo uma ocasião para o derramamento do Espírito num dia de “chuva serôdia” antes da Segunda Vinda.[35]

O desenvolvimento do dispensacionalismo no pós-guerra

Os movimentos fundamentalista/evangélico e pentecostal/carismático se alastraram rapidamente pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial e o dispensacionalismo, por estar relacionado com tais movimentos, também cresceu rapidamente. Muitas pessoas nascidas durante o “baby-boom” do pós-guerra cresceram no ambiente de igrejas pentecostais e carismáticas tendo o dispensacionalismo e o Arrebatamento pré-tribulacional como parte de sua estrutura doutrinária. Portanto, nem lhes passava pela cabeça que o dispensacionalismo não era inerente às características específicas de sua teologia da restauração. Além disso, quando o fundamentalismo não-calvinista se expandiu depois da Segunda Guerra, especialmente nos círculos batistas independentes, houve uma ruptura ainda maior dos distintivos dispensacionalistas em relação às suas raízes calvinistas.
De outro lado, o expurgo do dispensacionalismo por parte do cristianismo reformado, iniciado no final da década de 1930, foi plenamente concluído. Um exemplo típico dessa polarização verifica-se em livros como Wrongly Dividing The Word Of Truth: A Critique of Dispensationalism (“Manejando Mal a Palavra da Verdade: Uma Crítica ao Dispensacionalismo”) de John Gerstner.[36] Enquanto, por um lado, admite que “o estranho no dispensacionalismo é que parece ter tido seus mais fortes defensores em igrejas calvinistas”,[37] Gerstner se opõe tão fortemente ao dispensacionalismo que se tornou cego para perceber a verdadeira natureza calvinista de tal teologia teocêntrica. Gerstner alega que ele e outros teólogos reformados levantaram “um forte questionamento sobre o dispensacionalismo e suas reivindicações calvinistas”.[38] Parece que pelo fato de o dispensacionalismo ter se originado numa tradição reformada, como um rival da teologia aliancista, alguns querem dizer que não pode logicamente ser calvinista. Esse é o argumento de Gerstner. Entretanto, apesar do seu sofisma nessa questão,[39] Gerstner não pode anular o fato histórico de que o dispensacionalismo foi gerado em meio à mentalidade bíblica de uma teologia nitidamente teocêntrica, por aqueles que defendiam firmemente o calvinismo soteriológico. A provável razão pela qual a comunidade reformada tomou a dianteira na crítica da teologia dispensacionalista se encontra no fato de que o dispensacionalismo nasceu num contexto reformado.

Conclusão

O dispensacionalismo é mais bem entendido como um sistema teológico que compreende Deus como o Soberano Governante dos céus e da terra e a história como uma lição na concretização da glória de Deus exibida tanto no céu quanto na terra.
É justamente pelo fato de que o dispensacionalismo penetrou em quase todas as formas de protestantismo, que muitos, hoje em dia, talvez fiquem surpresos em conhecerem de onde procede a sua herança. Em nossos dias de irracionalismo pós-moderno em que a virtude se constitui em NÃO verificar a coerência dos pontos da teologia de uma pessoa, precisamos nos lembrar que a teologia da Bíblia é uma peça de roupa elaborada sem costura. Tudo se sustenta em conjunto. Se alguém começa a repuxar ou esgarçar um único fio de linha, o tecido todo corre o risco de se desmanchar.
O dispensacionalismo é mais bem entendido como um sistema teológico que compreende Deus como o Soberano Governante dos céus e da terra; o homem como um vice-regente rebelde (junto com alguns anjos); Jesus Cristo como o Herói da história que salva algumas pessoas por Sua Graça; a história como uma lição na concretização da glória de Deus exibida tanto no céu quanto na terra. O dispensacionalismo é uma teologia que, segundo creio, procede exatamente do estudo bíblico e que reconhece Deus como Deus. (Thomas Ice - http://www.chamada.com.br)

Notas:

  1. Samuel H. Kellog, “Premillennialism: Its relations to Doctrine and Practice”, publicado em Bibliotheca Sacra, V. XLV, 1888, p. 253.
  2. Kellogg, “Premillennialism”, p. 254.
  3. Kellogg, “Premillennialism”, p. 257.
  4. Kellogg, “Premillennialism”, pp. 258-9.
  5. Kellogg, “Premillennialism”, p. 256.
  6. C. Norman Kraus, Dispensationalism in América: Its Rise and Development, Richmond: John Knox Press, 1958, p. 59.
  7. Kraus, Dispensationalism, p. 59.
  8. Harold H. Rowdon, Who are the Brethren and Does it Matter? Exeter, England: The Paternoster Press, 1986, p. 35.
  9. George Bellet, Memoir of the Rev. George Bellet, Londres: J. Masters, 1989, p. 41-2, citado em John Nelson Darby de Max S. Weremchuk, Neptune, NJ: Loizeaux Brothers, 1992, p. 237, f. n. 25.
  10. John Howard Goddard, “The Contribution of John Nelson Darby to Soteriology, Eclesiology, and Eschatology” (Dissertação de doutorado no Dallas Theological Seminary, 1948), p. 85.
  11. J. N. Darby, “Letter on Free-Will”, publicado em The Collected Writings of J. N. Darby, Winschoten, Holanda: H. L. Heijkoop, 1971, V. 10, p. 185.
  12. Ibid., p. 186.
  13. J. N. Darby, “Notes on Romans”, publicado em The Collected Writings of J. N. Darby, Winschoten, Holanda: H. L. Heijkoop, 1971, V. 26, pp. 107-8.
  14. W. G. Turner, John Nelson Darby: A Biography, Londres: C. A. Hammond, 1926, p. 45.
  15. Ibid., p. 58.
  16. Rowdon, Who Are The Brethren, pp. 205-7.
  17. Goddard, “The Contribution of Darby”, p. 86.
  18. J. N. Darby, “The Doctrine of the Church of England at the Time of the Reformation”, publicado em The Collected Wrintings of J. N. Darby, Winschoten, Holanda: H. L. Heijkoop, 1971, V. 3, p. 3 (A expressão em itálico é original).
  19. Larry V. Crutchfield, The Origens of Dispensationalism: The Darby Factor, Lanham, MD: University Press of America, 1992, Prefácio.
  20. Dictionary of Christianity in America, organizado por Daniel Reid, Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1990, pp. 1057-8.
  21. John David Hannah, “The Social and Intellectual History of the Origins of the Evangelical Theological College” (Dissertação de doutorado na Universidade do Texas em Dallas, 1988, pp. 118-9.
  22. Jeffrey J. Richards, The Promise of Dawn: The Eschatology of Lewis Sperry Chafer, Lanham, MD: University Press of America, 1991, p. 23.
  23. Ibid.
  24. Ibid., p. 3.
  25. C. F. Lincoln, “Biographical Sketch of the Author”, publicado em Systematic Theologyde Lewis Sperry Chafer, Dallas: Dallas Seminary Press, 1948, V. VIII, p. 6.
  26. W. H. Griffith Thomas, The Principles of Theology: An Introduction to the Thirty-nine Articles, Grand Rapids: Baker Book House, 1979 [1930].
  27. Citado em “Origins of the Evangelical Theological College”, de Hannah, p. 199-200.
  28. Citado em Ibid., p. 200.
  29. Citado em Ibid., p. 346.
  30. Citado em Ibid., p. 346, f. n. 323.
  31. Ibid., pp. 357-8.
  32. Ibid., p. 364.
  33. Veja em The Work of Christ Consummated in 7 Dispensations, de J. R. Graves, Memphis: Baptist Book House, 1883.
  34. Kraus, Dispensationalism, p. 61
  35. Weber, “Premillennialism”, p. 15.
  36. John H. Gerstner, Wrongly Dividing the Word of Truth: A Critique of Dispensationalism, Brentwood, TN: Wolgemuth & Hyatt Publishers, 1991.
  37. Ibid., p. 106.
  38. Ibid.
  39. Ibid., pp. 105-47.
Thomas Ice é diretor-executivo do Pre-Trib Research Center (Centro de Pesquisas Pré-Tribulacionistas) e professor de Teologia na Liberty University. Ele é Th.M. pelo Seminário Teológico de Dallas e Ph.D. pelo Seminário Teológico Tyndale. Editor da Bíblia de Estudo Profética e autor de aproximadamente 30 livros, Thomas Ice é também um renomado conferencista. Ele e sua esposa Janice vivem com os três filhos em Lynchburg, Virginia (EUA).

Extraído do livro Entendendo o Dispensacionalismo

Quem tem uma perspectiva divina do passado, do presente e do futuro é capaz de saber o que Deus espera dele em todos os aspectos da vida. Compre aqui »

domingo, 18 de agosto de 2013

Existe uma Conspiração Mundial?

O chamado à sobriedade

Quando a Bíblia fala dos acontecimentos dos últimos tempos encontramos sempre o chamado à sobriedade e à cautela. Por exemplo, em 1 Tessalonicenses 5.6: “Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios!” (ACF). Em 1 Pedro 1.13 está escrito: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo!” (ACF). Justamente os acontecimentos dos últimos tempos podem gerar uma grande insensatez entre os crentes, até mesmo por meio de um falso anseio sensacionalista piedoso e da constante ocupação com o mal.

O perigo de esperar pelo fim dos tempos sem a devida sobriedade havia vitimado a igreja em Tessalônica, ainda que de outra forma. Por isto Paulo escreve em 2 Tessalonicenses 2.2: “…que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto.Thomas Smith traduz esta passagem da seguinte forma:[1] “Não permitam que sua impressão pessoal lhes tire o equilíbrio e a sensatez e os impeça de avaliar este importante assunto com base na verdade”. Precisamos agir desta forma em relação a todas as teorias conspiratórias que já causaram tanto pânico e inquietação não bíblica.

Devemos ser sóbrios e não permitir que nos tirem o equilíbrio e a sensatez. Mas como surgem as teorias conspiratórias? Este tipo de teoria tem um núcleo de verdade. Em seguida fatos isolados são arrancados de seu real contexto e combinados entre si mediante especulações impossíveis de serem provadas – e muitas vezes habilmente misturadas a meias verdades ou distorções da verdade. Forma-se uma construção que não pode ser comprovada nem refutada. Mais precisamente, trata-se de uma construção de fé.


É verdade que um terço dos signatários da Declaração de Independência dos EUA, era maçons. Mas ninguém diz que estes maçons eram minoria entre aqueles que assinaram a declaração.
Foi, por exemplo, o caso dos signatários da Declaração de Independência dos EUA. É verdade que um terço deles, mais precisamente 13 de 39 pessoas, era maçons.[2] Mas ninguém diz que estes maçons eram minoria entre aqueles que assinaram a declaração. Também é verdade que uma série de presidentes americanos foram maçons. Este núcleo de verdade é combinado então com a afirmação totalmente impossível de ser provada de que os maçons controlam os EUA desde sempre e há muito tempo também a política mundial. Devemos ser sóbrios diante destas coisas e não nos deixar arrastar por qualquer tipo de especulação.

Uma segunda característica de muitas teorias conspiratórias é a citação de fontes secundárias. Não é feita uma pesquisa sobre o que a OMS realmente decidiu em relação à gripe A e as etapas da epidemia, mas há referências a outros especialistas e fontes escritas que afirmam uma ou outra coisa. Isto por si só é suficiente para questionar a veracidade dos fatos conforme são apresentados.[3]

Eu disse há pouco que as teorias conspiratórias são, no fim das contas, uma construção de fé fechada em si mesma. Isto fica claro na forma como lidam com críticas de bom senso. Quem questiona as teorias conspiratórias é visto como ingênuo e inexperiente por aquele que acredita nelas. Ou é considerada simplesmente uma pessoa manipulada, sem que tenha percebido isto. Possivelmente esta pessoa atrairá para si a suspeita de ser ela mesma parte da conspiração. Desta forma, elimina-se a base para qualquer tipo de discussão sensata. Se alguma parte da teoria conspiratória se mostrar como falsa, supostamente isto é parte do disfarce e do jogo de confusão promovido pelos conspiradores. Mas a Bíblia nos chama à sobriedade!

Ao olhar com atenção, a maioria dos fatos misteriosos das conspirações acaba tendo uma explicação simples e racional. Por exemplo: os especialistas em conspirações afirmam que os atentados do 11 de Setembro não foram promovidos pelo Islã, mas pelos EUA, pela maçonaria mundial e pelo serviço secreto de Israel. Por isto o Pentágono não foi atacado por um avião, mas por um míssil de cruzeiro. Como prova alega-se que os EUA não liberaram as gravações das câmeras do circuito interno dos serviços secretos. Aparentemente há algo a ser escondido.

Basta ler um pouco a respeito dos serviços secretos americanos para saber que a ocultação de material relativo à segurança nacional é algo totalmente normal nos EUA. Os americanos reagem de forma histérica quando se trata da segurança nacional. Isto já foi assim no passado. Por causa disto, outros incidentes militares deram origem a especulações sobre a derrubada de alienígenas, como, por exemplo, o caso Roswell, em 1947. Apesar de, em 1997, o país ter publicado documentos sobre este incidente que deixavam claro que se tratava da queda de um balão de medição militar secreto, os conspiradores afirmam até hoje que uma nave alienígena tinha sido abatida. De volta ao 11 de Setembro, o simples argumento de que os EUA não liberam as gravações do atentado devido ao seu princípio de segurança nacional é considerado insuficiente. E, por isto, afirma-se que os americanos teriam algo a esconder.

Outra observação a respeito da sobriedade: a origem de grande parte das teorias conspiratórias pode ser associada a quatro fontes principais:
  1. Fontes socialistas de ideologia esquerdista;
  2. Fontes nacional-socialistas da direita radical;
  3. Fontes esotéricas;
  4. Fontes islâmicas;
O exemplo do 11 de Setembro mostra com clareza como estas quatro fontes diferentes acreditam firmemente em uma conspiração. Especialmente o limite entre a direita radical e o esoterismo é volátil. O nacional-socialismo era totalmente permeado por conceitos esotéricos. Esta afirmação não se baseia apenas nos meus próprios estudos sobre o assunto. Há cerca de vinte anos, ao tratar do movimento new age, Dave Hunt já havia estabelecido uma relação entre a ideologia marrom e o esoterismo.


São, em parte, os mesmos especialistas que falam de experiências com OVNIs e também dos aparentes bastidores da conspiração mundial.
Além das teorias conspiratórias esotéricas, o limite entre os ufólogos e os teóricos das conspirações também é volátil. São, em parte, os mesmos especialistas que falam de experiências de tirar o fôlego com OVNIs e também dos aparentes bastidores da conspiração mundial.

Falei antes das quatro fontes principais das teorias conspiratórias. Uma quinta fonte, citada com menos freqüência, são as revelações de católicos conservadores, que relatam uma suposta infiltração da maçonaria na Igreja Católica no contexto da conspiração mundial. Neste ponto quero chamar atenção para o fato de que um ou outro jesuíta alertou para uma suposta conspiração mundial de maçons e judeus. Estas fontes ultracatólicas também são levianamente aproveitadas por cristãos adeptos de teorias conspiratórias, que as usam ao invés de questionar profundamente que tipo de objetivo estaria sendo perseguido por meio delas. Será que forças, que no passado não hesitavam em usar qualquer tipo de intriga política ou inquisição para conseguir poder e domínio para si mesmas, hoje realmente teriam interesse em revelar quem são os verdadeiros conspiradores do mundo? Ou será que estão jogando bombas de fumaça para desviar a atenção das suas próprias ambições de poder?

Mais uma observação sobre as teorias conspiratórias e a sobriedade recomendada: nestes quatro sentidos há, normalmente, dois culpados principais nas conspirações mundiais:
  1. Por um lado, os EUA são a causa de todo o mal, ou, nas palavras do Islã, Satanás.
  2. O mau judaísmo mundial ou o Estado de Israel, que conduzem os EUA e a maçonaria.
É neste ponto que os crentes devem escutar o som de alarmes e isso com todo o cuidado.
Quero fazer quatro breves comentários sobre a transformação dos EUA em alvo principal das teorias conspiratórias. Se o reino anticristão deve surgir das cinzas do Império Romano mundial, como crêem muitos intérpretes da Bíblia, os EUA não desempenharão papel decisivo no final. Esta possibilidade já foi indicada por Dave Hunt há cerca de vinte anos, no livro “Global Peace and the Rise of Antichrist” (A Paz Global e o Surgimento do Anticristo”, em tradução livre).

Em segundo lugar, quero mencionar que renomados observadores da situação mundial, como por exemplo Peter Scholl-Latoure, identificam que os EUA passaram pelo ápice do seu poder há algum tempo e agora se encontram num caminho de decadência. Até agora, os EUA só conseguiram passar pela crise mundial com ajuda da China, já que esta dispõe de longe das maiores reservas de moeda em todo mundo (2.650 bilhões de dólares)[4]. Também não é segredo que, apesar da crise mundial, os EUA olham com preocupação para a Europa e tentam fazer de tudo para impedir que a Europa se levante.
Agora os EUA são responsabilizados por todo o mal. Mas isto será verdade? Lembremos do pensamento neomarxista do movimento de 68, na região de fala alemã. É perfeitamente conhecido que era impulsionado pela chamada Escola de Frankfurt, e não pela Escola de Nova Iorque.

Por um lado, suspeita-se que os EUA sejam o charco de todas as intrigas conspiratórias maçons, que submetem também a Europa. Por outro lado, podemos reconhecer um perigo óbvio na crescente islamização do mundo ocidental. Mas como explicar esta evolução tão contraditória se os destinos são supostamente guiados pela maçonaria ou por uma outra sociedade secreta?

Permita-me uma última pergunta neste contexto: se maçons, Bilderberger & cia conduzem a política mundial e manipulam a população mundial há anos e décadas, por que já não instalaram seu governo mundial há muito tempo? Oportunidades não faltaram, a começar pelo fim da Segunda Guerra Mundial ou mesmo pela queda do bloco soviético.

O chamado à autenticidade

Em Romanos 13.12, Paulo nos conclama a, em vista da hora avançada, deixar as obras das trevas e vestir as armas da luz. As armas da luz, sem dúvida, incluem também a verdade e a autenticidade, ainda que não estejam explicitamente mencionadas no texto. Mas encontramos em muitos outros trechos a constante advertência à autenticidade.

Como já mencionamos, quase todos os livros reveladores estão baseados em especulações e conclusões habilmente extraídas de fatos aleatórios. Uma análise mais detalhada mostrará que isto também acontece no caso de livros cristãos que pretendem revelar a maçonaria no mundo. Há muitas conclusões e especulações, mas poucas coisas que realmente podem ser provadas. Não se trata de enfeitar a sedução e a decadência dentro do cristianismo, mas da afirmação não comprovável de que a maçonaria mundial esteja por trás de tudo que leve a estes acontecimentos.

Neste contexto, no entanto, não encontramos apenas especulações, mas também supostos fatos que se revelam ser simplesmente informações erradas e inverdades. Como exemplo quero citar o suposto símbolo dos Illuminati na cédula de um dólar. Eu mesmo tive de encarar o fato de ter transmitido informações inverídicas em várias ocasiões.


Diversos livros cristãos supostamente reveladores afirmam que esta é a pirâmide dos Illuminati, o sinal da sociedade mundial.
Diversos livros cristãos supostamente reveladores afirmam que esta é a pirâmide dos Illuminati, o sinal da sociedade mundial. A inscrição latina significaria: “Nova ordem mundial” ou “Por uma nova ordem mundial”, justamente o objetivo do governo mundial secreto que supostamente já existe hoje.
Mas os fatos mostram que nem a descrição como pirâmide dos Illuminati nem a tradução da inscrição latina estão corretos. Não se tem mesmo certeza de que haja qualquer relação entre este símbolo e a maçonaria. Seguem alguns fatos a respeito.
O único ponto em comum entre os EUA e a ordem dos Illuminati que pode ser comprovado é o ano da sua fundação: 1776. Aí está a sementinha de verdade comum a tantas teorias conspiratórias. Mas este ano de fundação também é a única coisa que os Illuminati têm em comum com os EUA. A sociedade não foi fundada na América, mas em Ingolstadt (Baviera, Alemanha), por Adam Weishaupt. Isto aconteceu numa época em que não era possível dar um pulinho de avião nos EUA nem havia outras possibilidades de conexão. O grupo incluía pessoas como o Barão von Knigge e Franz Xaver von Zwack, entre outros. Mas esta sociedade secreta rapidamente foi abalada por discórdias e ciumeiras, o que levou à saída de von Knigge em 1784, apenas oito anos depois da fundação do grupo. A sociedade secreta foi proibida no mesmo ano pelo barão bávaro Karl Theodor e provavelmente terminou em 1785.[5]

Em 1896/97 Leopold Engel, maçom de Dresden e escritor ocultista, tentou reorganizar a ordem dos Illuminati. Somente em 1925 ele convocou o concílio mundial da ordem dosIlluminati e depois ela foi – acredite se puder – extinta definitivamente pelos nazistas, em 1933 e nunca mais ressurgiu. Até aqui, dados históricos. A dissolução pelos nazistas não foi mero acaso, nem tentativa de ocultação.

 Hitler e Himmler estavam convencidos da conspiração mundial dos maçons, que eles combatiam com todos os meios possíveis. A conspiração mundial era um dos pilares do nacional-socialismo e da Ordem da SS.[6]

A única coisa que se sabe a respeito dos Illuminati é que tentaram, sem sucesso, infiltrar-se nas lojas maçônicas na Alemanha e na Europa. A influência sobre os EUA é impossível de ser comprovada historicamente.[7] De acordo com as minhas pesquisas, as teorias conspiratórias que atribuem o símbolo da cédula de um dólar aos Illuminati começaram somente depois da Segunda Guerra Mundial. Isto dá o que pensar. Mas o divulgador de teorias conspiratórias William Guy Curr cometeu um erro ainda mais grave em seus livros. Ele afirma que a pirâmide foi incluída no brasão dos EUA e, com isto, na cédula do dólar, por meio de Henry A. Wallace (vice-presidente dos EUA na gestão de Franklin D. Roosevelt), suposto membro dos Illuminati. Mas isto não é possível, visto que Wallace nasceu em 1888, sendo que o brasão dos EUA já fora finalizado em 1776, ou seja, 112 anos antes do seu nascimento.

Não é nem mesmo possível comprovar que este sinal sequer tenha relação com a maçonaria, como é freqüentemente afirmado. Possivelmente seja até mesmo um símbolo cristão. Os treze degraus da pirâmide simbolizam os treze Estados fundadores dos EUA. A pirâmide incompleta faz referência aos Estados ainda não organizados dos EUA. O olho dentro da pirâmide flutuante é um antigo símbolo cristão, encontrado em algumas igrejas. A pirâmide possivelmente só foi introduzida na maçonaria em um período tardio, depois de 1863,[8] ou seja, muito tempo depois da fundação dos EUA. Não há uma única fonte histórica que comprove uma relação entre o brasão americano e a maçonaria. De acordo com as pesquisas do Pr. Reinhard Möller, até mesmo as lojas norte-americanas, que são sempre muito abertas sobre as suas relações, se distanciam deste símbolo.

Há alguns anos, um irmão quis me convencer de que numa imagem ampliada seria possível ler a sigla CVJM (conhecida no Brasil como ACM – Associação Cristã de Moços) numa das pedras da pirâmide e que, por isto, esta organização também faria parte da maçonaria mundial. Na verdade não existe inscrição nenhuma nas pedras, é possível ver alguns padrões pontilhados.

Agora sobre a inscrição: “Nova Ordem Mundial”, ou “Ordem dos Novos Mundos”. Aqui a tradução simplesmente trapaceou. Na verdade a inscrição diz “Novus Ordo Seculorum”, o que significa algo como “Nova ordem dos séculos”, mas não “Nova Ordem Mundial” ou “Por uma nova ordem mundial”. 

Trata-se de uma citação do poeta romano Virgílio, do ano 40 a.C. Com a fundação do novo país, os pais dos EUA queriam criar uma ordem religiosa, política e social exemplar, em contraste com a escravidão e as muitas perseguições religiosas na Velha Europa. Também queriam que sua Constituição os separasse definitivamente da Inglaterra. Podemos excluir assim o pensamento da busca por um governo mundial.[9]

Acho que isto é suficiente. Seja como for, estas teorias falsas como o suposto sinal dosIlluminati não têm nada que ver com as armas da luz e a verdade relacionada a elas. Como cristãos devemos evitar estas coisas inventadas, afastando-nos delas.

Houve e ainda há muitos maçons ativos na política, mas não há indícios de uma política mundial maçônica uniforme.
Uma obra básica sobre sociedades secretas mostra que houve e ainda há muitos maçons ativos na política, mas que não há indícios de uma política mundial maçônica uniforme. Mesmo a assim chamada loja mundial deve fazer parte do reino das lendas. Muitas lojas continentais estão até mesmo em conflito por causa de suas convicções totalmente divergentes. A loja inglesa monarquista é um grande contraste à maçonaria francesa e às ênfases defendidas por esta.[10]

Neste contexto também precisamos ser muito cautelosos ao chamar alguém de maçom ou coisa parecida. Especialmente quando não há provas irrefutáveis e as suposições e especulações foram expressas por auto-denominados especialistas. Às vezes fico espantado com a leviandade e superficialidade com que mesmo grupos fiéis à Bíblia lidam com a verdade.

Há alguns anos alertei um irmão que se ocupava com as teorias conspiratórias e a maçonaria mundial sobre erros factuais e informações erradas, mas ele apenas respondeu: “Pode até ser, mas ainda assim acredito que a teoria conspiratória esteja certa”. Como eu disse: trata-se de um verdadeiro sistema de crenças. (Johannes Pflaum -http://www.chamada.com.br)

Notas

  1. Smith, Thomas “Was die Bibel lehrt” vol. 11, p. 141; CV-Dillenburg
  2. Rothkopf, David, “Die Super-Klasse”, p. 409, Goldmann.
  3. Cf. Harder, Bernd, “Elvis lebt! – Lexikon der unterdruckten Wahrheiten”; p. 111 – 120; Herder.
  4. Revista “Focus” No 42/10; p. 146.
  5. Harder Bernd, “Elvis lebt! – Lexikon der unterdruckten Wahrheiten”, p. 73-82, Herder.
  6. Ibid p. 73-82; Wolfgang Wippermann “Agenten des Bösen”; p. 143-152; be.bra Verlag.
  7. Cf. de.wikipedia.org/wiki/Siegel_der_Vereinigten_Staaten.
  8. Cf. Harder, Bernd, “Elvis lebt! – Lexikon der unterdruckten Wahrheiten”, p. 88.
  9. Ibid, pg. 177.
  10. “Geheimgesellschaften und Geheimbunde” Moderne Universalgeschichte der Geheimwissenschaften; p. 331-333; Gondrom.
Johannes Pflaum – (1964), é casado, pai de cinco filhos e reside na Suíça, onde integra a diretoria da Sociedade Bíblica Suíça. É conferencista e docente na área do ensino bíblico no idioma alemão.

Extraído do livro Teorias Conspiratórias à Luz da Bíblia

Há uma tendência de considerar as teorias da conspiração como o cumprimento de profecias escatológicas. Precisamos examinar se nós avaliamos pensamentos, filosofias e correntes à luz da Bíblia ou se lemos e interpretamos a Bíblia à luz deles. Compre aqui »

Pastor Saeed Abedini, preso por evangelizar muçulmanos, está com a saúde debilitada na prisão

Pastor Saeed Abedini, preso por evangelizar muçulmanos, está com a saúde debilitada na prisão
A família do iraniano Saeed Abedini, preso desde janeiro na prisão Evin, no Irã, informou que seu estado está piorando ele que está desmaiando de graves dores. Essa informação foi divulgada depois que seu familiares o visitaram na prisão, onde cumpre sentença de oito anos, por evangelizar muçulmanos no país.
- Infelizmente, nós verificamos que os ferimentos internos do pastor Saeed estão causando o aumento da dor – divulgou o Centro Americano para Lei e Justiça (ACLJ), que representa a mulher de Abedini e seus dois filhos, nos EUA.
Após a recente libertação do pastor da solitária, seu estado de saúde havia melhorado e alguns de seus sintomas médicos haviam diminuído. De acordo com o The Christian Post, as autoridades negaram Abedini cuidados médicos importantes para a dor que ele estava sentindo em seu abdômen, fazendo com que o ACLJ acusasse a república islâmica de “tratamento desumano de prisioneiros de consciência”. Posterior a isso, o pastor recebeu o tratamento em um hospital local, onde foi prescrita medicação, mas não foi o suficiente, e sua dor aumentou.
- Esta é uma virada perturbadora de eventos. Ele serve como um lembrete renovado das condições perigosas que o pastor Saeed enfrenta, em uma das piores prisões do mundo – continuou a ACLJ, que fez um pedido oficial para que Abedini receba a assistência médica que precisa.
- Ele tem lidado com muita dor e hemorragia interna desde que ele foi levado para o confinamento solitário que tem sido horrível em si … duas vezes, em tentativas de destruí-lo e fazê-lo renegar sua fé. Ele passou por muita coisa no ano passado – afirmou Naghmeh Abedini, esposa do pastor.
Por Dan Martins, para o Gospel+

Qual é a Maior Necessidade do Mundo?

Se a necessidade fosse econômica, Deus teria enviado um Ministro da Economia. Se fosse segurança, Deus teria enviado um Chefe de Polícia. Se fosse um emprego melhor, Deus teria enviado um Ministro do Trabalho. Se fosse a saúde, Deus teria enviado um médico. No entanto, por entender que nossa maior necessidade seria a de ter um relacionamento pessoal com Deus, Ele nos enviou um SALVADOR divino.
A maior necessidade do ser humano é conhecer a Deus e desfrutar Sua companhia por toda a eternidade! A Bíblia afirma que o homem está separado de seu Criador por causa do pecado. Todavia, com a finalidade de proporcionar uma solução para isso, Deus enviou a Jesus Cristo para perdoar esse pecado. Estimado amigo e leitor: se Deus coloca alguma inquietação a esse respeito em seu coração, lhe peço que leia esse folheto até o fim, com um coração disposto a ser moldado pelos ensinamentos da Bíblia.
Seguem 4 verdades extraídas da Bíblia que nos guiarão para o suprimento de nossa maior necessidade: a de iniciar uma relação pessoal com o Deus vivo e verdadeiro.

1. O “coração” do problema é o problema do coração

A separação entre a Humanidade e o seu Criador é tão real quanto a distância que há entre o Sol e o nosso planeta. O que nos distanciou? Foi o pecado! A Santa Bíblia nos diz, em Romanos 3.23: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Provavelmente, você se considera uma boa pessoa, porém, comparando-se com quem? A Palavra de Deus nos coloca diante da santa glória de Deus e é por essa razão que estamos perdidos, não podendo entrar na Sua presença, no Céu. “ Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque” (Eclesiastes 7.20).

2. Frente a frente com Deus no maior Juízo da história humana

Se você morresse hoje, teria que enfrentar o Juízo Final com plena consciência de sua culpa. Estaria frente a frente com seu Criador, o único Deus verdadeiro, Santo, Justo, que odeia o pecado e que não inocentará o culpado. A conseqüência? A eterna separação de Deus, perdido por toda a eternidade. “E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo” (Hebreus 9.27), “...o salário do pecado é a morte...”(Romanos 6.23). “Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1.9). “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo” (Apocalipse 20.15). A Santa Bíblia é muito clara quanto ao destino eterno de todas as pessoas: é o Céu ou o inferno. Não há outras coisas ou outros lugares, como o purgatório ou a reencarnação. A Bíblia desconhece essas doutrinas.

3. Uma boa notícia para você: Deus o ama e deseja perdoá-lo

O desejo de Deus é que ninguém pereça no inferno. O inferno foi feito para o Diabo e seus demônios que serão condenados ali. Eles querem que você os siga em seu destino de perdição e o odeiam porque Deus ama você.
Deus enviou Seu próprio Filho ao mundo, em forma humana, para morrer e pagar pelos nossos pecados e, assim, poder salvar ao culpado sem comprometer a Sua justiça. Em João 3.16, lemos: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Romanos 5.8 diz: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Em 2 Pedro 3.9, somos lembrados que o Senhor “é longânimo..., não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento”.

4. Entrar no Céu é um presente – não é merecimento nem se obtém por boas obras

Jesus Cristo é o único Ser humano sem pecado – porque Ele mesmo é Deus – e venceu a morte (apesar das religiões que O mostram preso à cruz, impotente) e ressuscitou novamente. Ele hoje está vivo e pode salvá-lo se você O convidar para ser seu Redentor.
A Bíblia diz que a salvação é um dom (presente) de Deus: “não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:9). No Céu, ninguém poderá se orgulhar de ter chegado lá por seus próprios méritos, senão pela obra perfeita de Cristo. Agora, Deus aguarda a sua resposta para esta mensagem do maior amor. Se você, nesse instante, quiser receber o perdão pelos seus pecados, o dom gratuito da entrada no Céu, então faça uma oração aceitando a Cristo como o seu Deus e Salvador. Fale com Deus sinceramente, usando a oração seguinte como exemplo: “Senhor Deus! Reconheço que estou perdido em meu pecado, porém, agora creio em Cristo. Peço que perdoes os meus pecados. Salva-me agora. Amém!”

Texto do folheto Qual é a Maior Necessidade do Mundo?

sábado, 10 de agosto de 2013

Uma cura num sábado

Certo sábado, Jesus estava ensinando numa sinagoga. E chegou ali uma mulher que fazia dezoito anos que estava doente, por causa de um espírito mau. Ela andava encurvada e não conseguia se endireitar. Quando Jesus a viu, ele a chamou e disse:

— Mulher, você está curada.

Aí pôs as mãos sobre ela, e ela logo se endireitou e começou a louvar a Deus. Mas o chefe da sinagoga ficou zangado porque Jesus havia feito uma cura no sábado. Por isso disse ao povo:
— Há seis dias para trabalhar. Pois venham nesses dias para serem curados, mas, no sábado, não!
Então o Senhor respondeu:

— Hipócritas! No sábado, qualquer um de vocês vai à estrebaria e desamarra o seu boi ou o seu jumento a fim de levá-lo para beber água. E agora está aqui uma descendente de Abraão que Satanás prendeu durante dezoito anos. Por que é que no sábado ela não devia ficar livre dessa doença?

Os inimigos de Jesus ficaram envergonhados com essa resposta, mas toda a multidão ficou alegre com as coisas maravilhosas que ele fazia.

domingo, 4 de agosto de 2013

CONGRESSO NACIONAL DE MISSÕES 2013 é destaque no Brasil

Nos dias 02 à 04 de Agosto de 2013 aconteceu o 5º. Congresso Nacional de Missões, com a presença de 42 missionários da Secretaria Geral de Missões, que vieram de 18 países. O evento foi realizado na Estância Árvore da Vida, em Sumaré-SP.
Durante três dias de Congresso, os presentes ao Evento, puderam participar de oficinas temáticas com os missionários e palestrantes convidados, visitar a tenda dos missionários e ver de perto as curiosidades de cada campo além de conhecer os projetos da SGM e como envolver-se em missões.
Durante o 5º. Congresso Nacional de Missões também aconteceu o Congresso Nacional do Amai Infantil,voltado para crianças de 06 a 12 anos. 
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

LIVROS CRISTÃOS GRATUITOS EM DIVERSOS IDIOMAS

Livros impressos grátis!
Se desejar, sinta-se à vontade para pedir uma cópia da série de livros 
Cristãos gratuitos agora! Você pode pedir apenas uma cópia de cada título 
e no máximo dois títulos diferentes de cada vez.
Clique no Link a seguir para solicitar seu exemplar gratuíto:

Adoração Verdadeira Conforme Daniel


A interpretação de Daniel sobre a estátua de Nabucodonosor, seus três amigos na fornalha ardente, ele mesmo na cova dos leões ou Belsazar e o “Mene tequel” na parede. Quem não conhece essas histórias? Mas o mais notável em Daniel era a sua vida de oração...

Daniel tinha uma vida de oração ativa que o impulsionou durante toda a existência e ele não a abandonou. Ele começou quando ainda era adolescente, e não fraquejou nem mesmo quando já estava em idade avançada. No fim das contas, Daniel marcou a história porque orava.

Um jovem e sua adoração verdadeira a Deus

No segundo ano do reinado de Nabucodonosor, o rei teve o sonho da grande estátua (Dn 2.1). Ninguém conseguiu explicá-lo, de forma que ele decidiu matar todos os magos e feiticeiros. Como o primeiro ano do reinado não era contado, o segundo ano de Nabucodonosor correspondia ao terceiro ano da permanência de Daniel na Babilônia e, portanto, ao fim de seu período de estudos de três anos (Dn 1.5). Daniel chegou à Babilônia (Dn 1.1) no ano 605 a.C. Ele ainda era muito jovem, talvez até mesmo um adolescente. Daniel viveu o exílio babilônico até a queda da Babilônia diante dos persas (539 a.C.). Ou seja, Daniel viveu lá durante cerca de 70 anos. Já nos primeiros tempos, Daniel se mostrou um intercessor eficaz (Dn 2.16-19).
Todos os magos e feiticeiros estavam “desesperados” de medo (Dn 2.10-11), mas Daniel recolheu-se calma e tranquilamente em sua casa. Uma vida de oração é interação com Deus e por isso dá segurança em meio à insegurança.
Daniel contou sua preocupação aos seus fiéis e confiáveis amigos (Dn 2.17-18), porque sabia do poder da oração conjunta. Nós também deveríamos ter a coragem de compartilhar mais os nossos motivos de oração com nossos irmãos no Senhor. Muitas vezes, porém, envergonhamo-nos deles, ficamos sem graça. Algumas pessoas preferem orar sozinhas a compartilhar seus assuntos com pessoas de confiança. Mas a Bíblia e a História estão cheias de exemplos de comunhões de oração e da conseqüente ação poderosa de Deus.
Daniel e seus amigos oraram juntos pedindo revelação e proteção. A comunhão de oração é uma força como a fissão nuclear; ela tem uma promessa no Novo Testamento: “Se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.19-20). Por isso, depois da comunhão de oração, o texto relata: “Então, foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite” (Dn 2.19).

Adoração verdadeira é oração com gratidão

Muitas vezes empenhamos muito tempo e esforço para interceder por algum motivo, mas tiramos pouco tempo para agradecer.
Muitas vezes empenhamos muito tempo e esforço para interceder por algum motivo, mas tiramos pouco tempo para agradecer. Com Daniel era bem diferente. Antes de correr ao rei e lhe apresentar a revelação, ele primeiro agradeceu ao Senhor. Ele não deixou o louvor para mais tarde. Na vida de Daniel, Deus sempre estava em primeiro lugar e somente depois vinha o rei babilônico.
Então, foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; Daniel bendisse o Deus do céu... Por isso, Daniel foi ter com Arioque, ao qual o rei tinha constituído para exterminar os sábios da Babilônia; entrou e lhe disse: Não mates os sábios da Babilônia; introduze-me na presença do rei, e revelarei ao rei a interpretação” (Dn 2.19,24).

Adoração verdadeira é oração regular

Daniel não permitia que nada atrapalhasse a regularidade de seu tempo de oração. Em Daniel 6 lemos que os altos funcionários inimigos dos judeus tentaram preparar uma armadilha para Daniel e impedi-lo de orar (v.7). Nós também precisamos ter consciência de que o inimigo de Deus fará de tudo para nos afastar da oração. Mas Daniel reagiu a isso com mais oração: “Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer” (v. 10).
O que esse versículo nos mostra sobre Daniel?
  1. Ele não se deixou demover da oração (persistência).
  2. Ele orava tanto em comunhão quanto sozinho.
  3. Ele tinha um local fixo para orar, no quarto superior da sua casa (veja Dn 2.17).
  4. Ele tinha janelas abertas (direcionamento constante, comunhão ininterrupta).
  5. Ele tinha uma direção para sua oração (Jerusalém, onde estava o altar; uma indicação para Jesus).
  6. Ele orava regularmente, três vezes ao dia, como sempre havia feito.
  7. E ele não descuidava do agradecimento.

Adoração verdadeira parte da Palavra

Daniel orava para entender a Palavra de Deus, e estudava a Palavra de Deus para orar.
No primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos. Voltei o rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza. Orei ao Senhor, meu Deus, confessei e disse: ah! Senhor! Deus grande e temível, que guardas a aliança e a misericórdia para com os que te amam e guardam os teus mandamentos” (Dn 9.2-4).
Daniel orava para entender a Palavra de Deus, e estudava a Palavra de Deus para orar. Quando compreendeu o que eram os setenta anos de cativeiro de que Jeremias tinha falado, começou imediatamente a orar. Com isso, ele mesmo foi profundamente afetado. A oração de Daniel revela seu coração.
  1. Ele reagiu imediatamente (sem tardar).
  2. Ele não procurou homens (Dario ou Ciro), mas seu Deus onipotente.
  3. Ele suplicava – nisto vemos sua seriedade e persistência.
  4. Ele jejuava em pano de saco e cinzas, portanto havia arrependimento. Ele não se considerava importante demais para arrepender-se.
  5. Ele orava a um Deus pessoal. Tinha um relacionamento pessoal com Ele.
  6. Ele orava com grande reverência.
  7. E ele orava com confiança, com esperança na graça e bondade do Senhor.
Daniel foi exaltado de forma maravilhosa. Por trás dos acontecimentos de Esdras 1.1-4 está a oração de Daniel. Sua oração contribuiu para uma decisão que alteraria a política mundial e para o cumprimento da profecia divina.

Adoração verdadeira é poderosa

Certa vez Daniel recebeu uma revelação sobre a Grande Tribulação (Dn 10.1). Ele entendeu a palavra, o que o levou novamente à oração: “Naqueles dias, eu, Daniel, pranteei durante três semanas. Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas inteiras” (v.2-3). Podemos orar a respeito de coisas que entendemos e a respeito de coisas que não entendemos.
Depois de ter orado e jejuado tão intensamente, Daniel recebeu a visita de um anjo: “Eis que certa mão me tocou, sacudiu-me e me pôs sobre os meus joelhos e as palmas das minhas mãos. Ele me disse: Daniel, homem muito amado, está atento às palavras que te vou dizer; levanta-te sobre os pés, porque eis que te sou enviado. Ao falar ele comigo esta palavra, eu me pus em pé, tremendo. Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim” (v.10-12).
Isto não é tremendo?
  1. Daniel era um homem muito amado de Deus. Esta afirmação aparece três vezes no livro de Daniel (Dn 9.23; Dn 10.11,19).
  2. Ele recebeu a garantia de que foi ouvido desde o primeiro dia, apesar de a resposta só ter chegado três semanas depois (v.1; cf. Dn 9.23).
  3. Este anjo foi especialmente enviado por causa da oração de Daniel.
Os céus foram movidos porque alguém foi movido pelo céu a orar. O que não poderia acontecer se formos realmente pessoas de oração?

Adoração verdadeira é para toda a vida

Os céus foram movidos porque alguém foi movido pelo céu a orar. O que não poderia acontecer se formos realmente pessoas de oração?
No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, foi revelada uma palavra a Daniel, cujo nome é Beltessazar; a palavra era verdadeira e envolvia grande conflito; ele entendeu a palavra e teve a inteligência da visão” (Dn 10.1).
No terceiro ano do rei Ciro, Daniel já vivia há 70 anos na Babilônia. Provavelmente sua vida de oração começou quando ele ainda era um adolescente, e agora, com mais de 80 anos, ela ainda não diminuíra. Daniel continuava a orar intensamente.
Que o Senhor conceda e que nós desejemos ser pessoas de oração hoje, amanhã e também quando estivermos em idade avançada. Ainda mais por vivermos em uma época na qual as profecias de Daniel sobre o final dos tempos começam a se cumprir! (Norbert Lieth - http://www.chamada.com.br)
Norbert Lieth É Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional. Suas mensagens têm como tema central a Palavra Profética. Logo após sua conversão, estudou em nossa Escola Bíblica e ficou no Uruguai até concluí-la. Por alguns anos trabalhou como missionário em nossa Obra na Bolívia e depois iniciou a divulgação da nossa literatura na Venezuela, onde permaneceu até 1985. Nesse ano, voltou à Suíça e é o principal preletor em nossas conferências na Europa. É autor de vários livros publicados em alemão, português e espanhol.